SÃO PAULO — O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) não reúne condições para atuar como pacificador diante da situação institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio também concorre ao Palácio do Planalto e mantém o mandato de senador pelo Rio de Janeiro.
Durante uma coletiva em São Paulo, Caiado disse que a pacificação do país exigiria autoridade moral e articulação entre os Poderes. O encontro ocorreu após um almoço com empresários promovido pelo YPO, com participação de Gilberto Kassab, candidato a vice-presidente na chapa de Caiado.
“Qual é a condição que ele [Flávio] tem?”, questionou Caiado. Na avaliação do candidato, o presidente precisa buscar os Poderes e construir uma saída para o país.
Críticas a Lula e ao senador
Caiado também responsabilizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por não ter articulado antes uma resposta às tensões relacionadas ao Supremo. Para o candidato do PSD, Lula deveria ter reunido representantes dos Poderes no Palácio do Planalto e feito um pronunciamento à nação.
O candidato afirmou ainda que a crise institucional afeta a credibilidade do Judiciário. Segundo ele, o Brasil está sem uma autoridade capaz de conduzir uma manifestação pública sobre o momento político e institucional.
Questionado sobre o filme Dark Horse e as negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, Caiado disse acompanhar as investigações. Ele defendeu que os candidatos à Presidência estejam acima de qualquer suspeita e declarou que devem ter “mãos limpas para poder governar”.
Flávio confirmou em maio que procurou Vorcaro para buscar patrocínio privado para a produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador negou ter recebido vantagens ou oferecido contrapartidas. Relatórios da Polícia Federal divulgados em setembro detalharam mensagens e cobranças relacionadas aos recursos do filme.
Economia e despesas públicas
A situação institucional e a economia foram os principais temas discutidos no encontro com empresários. Caiado relatou que os participantes demonstraram preocupação com a taxa básica de juros. O Comitê de Política Monetária (Copom) realiza sua reunião de setembro nesta terça e quarta-feira (15 e 16).
O candidato reiterou a defesa de reduzir o ritmo de crescimento das despesas públicas para abrir espaço para juros menores. Entre as propostas citadas, estão limitar a expansão dos gastos à metade do crescimento da economia registrado no ano anterior e cortar despesas nos Poderes após a aprovação de uma reforma administrativa.






