Um contrato de advocacia previa honorários de R$ 427 milhões caso fossem obtidos resultados em 12 processos ligados a precatórios de interesse de Daniel Vorcaro. Os documentos e mensagens foram encaminhados pela Polícia Federal aos ministros do Supremo Tribunal Federal e estão sob análise no Caso Master.
O valor correspondia a 5% dos recursos que o Banco Master esperava receber em ações relacionadas a indenizações do antigo Instituto do Açúcar e do Álcool. Conforme o contrato, os precatórios poderiam render R$ 8,5 bilhões. O escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, da advogada Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, atuaria nas causas e poderia receber diretamente da União.
Mensagens citam a “Turma do KN”
Nas conversas extraídas do celular de Vorcaro, assessores usavam a expressão “Turma do KN” para se referir a Newton Ramos e Camilla Ramos. As mensagens indicam que Newton repassava pedidos atribuídos ao ministro Kassio Nunes Marques, incluindo uma reserva de hospedagem no hotel Fasano, em São Paulo.
O material também registra pedidos de ingressos para camarote, acesso a eventos no Rosewood, entradas para a Fórmula 1, viagens de avião e outras despesas. Em uma das conversas, Vorcaro autorizou que uma diária no Fasano fosse colocada em sua conta.
As mensagens ainda relacionam o ministro a uma viagem em jato particular para o aniversário de Camilla Ramos, em Maceió, e a uma mansão no Joá, no Rio de Janeiro, durante o Carnaval de 2025. O imóvel teria sido alugado por R$ 1,45 milhão durante uma semana.
No julgamento citado nas conversas, Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli e Edson Fachin votaram pelo reconhecimento do débito. Gilmar Mendes e André Mendonça discordaram. Nunes Marques havia declarado impedimento, mas depois pediu a retificação do registro e participou da votação.
Manifestações
Newton Ramos afirmou: “nunca julguei qualquer causa de interesse do Banco Master”. Ele disse que sua mulher atuava em causas cíveis para o banco e que a relação com Vorcaro era anterior aos fatos investigados.
A defesa de Kassio Nunes Marques negou que o ministro tenha votado a favor de Vorcaro ou do Banco Master, trocado mensagens com o banqueiro ou feito pedidos a ele. Também afirmou que o processo mencionado tratava de uma tese aplicável a diversas empresas, e não de uma ação do Master.
O arquivo foi enviado ao gabinete de André Mendonça, relator do Caso Master, em julho. Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes pediram acesso à íntegra do material diante da suspeita de que a análise tivesse se concentrado em Alexandre de Moraes. Mendonça negou qualquer direcionamento.






