A Copasa aprovou mudanças no estatuto que ampliam a participação do Governo de Minas Gerais na escolha de representantes dos conselhos, mesmo após a privatização. O Estado poderá eleger, em votação separada, um integrante do conselho de administração e um do conselho fiscal, além do suplente. Esses representantes só poderão ser destituídos pelo titular da golden share.
As alterações foram aprovadas em assembleia realizada na segunda-feira, 28 de setembro, e fazem parte do novo desenho de governança da companhia. A ação especial mantida por Minas Gerais já permitia veto a decisões como mudanças no nome e na sede da empresa e no limite de direitos de voto.
Novo comando
A Copasa também anunciou Augusto Dantas como diretor-presidente. Tinn Freire Amado assumirá a presidência do conselho de administração, que terá nove membros, com Leonardo da Silva Lucas Tavares de Lima na vice-presidência.
Marília Melo deixou a presidência executiva, mas continuará na companhia à frente da Diretoria de Relações Institucionais e Sustentabilidade. Dantas e Amado têm trajetória no Grupo Equatorial, acionista de referência da empresa mineira.
Dantas é engenheiro eletricista formado pela PUC Minas e tem mais de 18 anos de atuação no Grupo Equatorial. Ele foi CEO da Equatorial Maranhão, diretor na Equatorial Pará e, em 2021, assumiu a presidência da Companhia de Saneamento do Amapá (CSA), primeira concessão de saneamento do grupo. Também acumulou a presidência da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA).
Amado é conselheiro do Grupo Equatorial e da Echoenergia e foi conselheiro da Sabesp. Leonardo Lucas está há 21 anos na Equatorial. Desde 2019, ocupa as funções de diretor financeiro e de relações com investidores e, desde 2022, responde também pelas áreas de M&A e Estratégia.
Privatização e acordo de acionistas
A Equatorial pagou cerca de R$ 5,6 bilhões por 30% da Copasa na privatização, realizada em junho deste ano. A operação movimentou R$ 8,4 bilhões, incluindo cerca de R$ 2,8 bilhões da oferta destinada aos demais investidores.
Com a desestatização, a participação do Governo de Minas Gerais caiu de 50% para 5%. A empresa opera em 636 municípios, alcançando cerca de 75% das cidades do estado. A nova gestão terá entre suas atribuições o cumprimento das metas de universalização previstas no Novo Marco Legal do Saneamento.
A Gerais Saneamento, veículo controlado pelo Grupo Equatorial e usado na privatização, comunicou ao Estado a rescisão antecipada do acordo de acionistas, com efeito imediato, em fato relevante divulgado pela Copasa na terça-feira, 29 de setembro.
A rescisão dependia da alteração das regras estatutárias sobre a golden share e do cumprimento do prazo previsto no acordo assinado em 11 de junho. Esse prazo foi encerrado em 9 de setembro, após o transcurso de 90 dias desde a assinatura.
A Copasa informou que a medida não altera as disposições do estatuto nem as obrigações assumidas pelo investidor nos demais documentos relacionados à oferta que resultou na privatização.
A empresa afirmou que a chegada de Dantas “marca o início de uma nova etapa na gestão da companhia” e citou a expansão das redes de água e esgotamento sanitário entre as prioridades. O executivo declarou: “Pretendemos imprimir uma gestão baseada no sentimento de dono, na meritocracia e no foco obstinado por resultados”.








