Uma mistura de asfalto com filtros de cigarro tratados apresentou menor condutividade térmica do que o pavimento convencional e manteve a rigidez necessária para suportar tráfego pesado, conforme ensaios laboratoriais realizados na Austrália.
O resultado pode contribuir para reduzir o aquecimento das ruas. O asfalto comum absorve radiação solar durante o dia e libera calor para a atmosfera urbana. Como a formulação experimental conduz menos calor, ela retém menos energia calórica e pode ajudar a amenizar as ilhas de calor.
Tratamento dos filtros
Os filtros são produzidos com acetato de celulose e acumulam compostos químicos durante o fumo. Quando descartados de forma inadequada nas vias públicas, esses resíduos podem levar substâncias tóxicas a cursos fluviais, contaminando a fauna aquática e degradando ecossistemas.
Para evitar o vazamento desses materiais, os engenheiros revestiram as bitucas usadas com betume e cera de parafina. A cobertura funciona como uma barreira química, isolando metais pesados e reduzindo o risco de contaminação em contato com líquidos.
Depois do tratamento, os filtros foram incorporados à massa asfáltica aquecida em diferentes dosagens. O trabalho foi desenvolvido na RMIT University pelo pesquisador Abbas Mohajerani, que estudou alternativas para reciclar o material e conter a lixiviação de substâncias prejudiciais.
Aplicação no pavimento
Os testes indicaram que filtros selados com betume suportaram as exigências de vias destinadas a tráfego pesado. A mistura preservou a rigidez e permaneceu estável sob esforços mecânicos intensos. Já a parafina atendeu somente às demandas associadas ao tráfego leve, mostrando que o material usado no isolamento interfere na aplicação do pavimento.
A incorporação dos resíduos também altera a densidade do asfalto e aumenta sua porosidade, formando estruturas mais leves sem comprometer a resistência mecânica. A proposta pode reduzir o uso de agregados minerais convencionais e oferecer uma destinação para resíduos de difícil decomposição.







