MANAUS — A campanha de Wilson Lima, candidato ao Senado Federal pelo Amazonas pelo União Brasil, foi denunciada ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas por supostamente mobilizar servidores da Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (AADESAM) em atividades políticas. A representação também aponta o uso de um sistema online para controlar a participação dos apoiadores.
A ação cautelar pede a produção de provas para uma eventual ação por abuso de poder político. O documento sustenta que a estrutura do governo do Amazonas teria sido usada para convocar servidores para atos da campanha de Wilson Lima e de sua coligação.
O principal elemento apresentado é um QR Code exibido em um bandeiraço realizado em Manaus, em 22 de agosto. O código direcionava os participantes ao site AtivaAM, que solicitava CPF, zona e bairro e exigia a aprovação de um “líder de zona”. O domínio havia sido registrado quatro dias antes do evento, com o titular oculto, e deixou de funcionar horas depois de ser identificado.
A suspeita é que a plataforma tenha permitido à campanha verificar quais funcionários de secretarias e órgãos estaduais participaram da manifestação e fizeram publicações nas redes sociais. Em um grupo de aplicativo de mensagens chamado “Eventos - Time Turbo”, uma usuária identificada pelo nome de um setor da AADESAM orientou os participantes a registrar a presença pelo código.
O juiz eleitoral autorizou parcialmente o pedido liminar, principalmente para preservar os dados do site. O material poderá ser usado para investigar se os participantes receberam algum benefício dentro da agência ou por meio de pagamentos.
Operação da Polícia Federal
A AADESAM foi alvo da Operação Combustão, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (24). A investigação apura o uso da agência para fins eleitorais nas eleições de 2022, período em que ela era comandada por José Nilmar Alves de Oliveira, conhecido como pastor Nilmar e apontado como aliado político de Wilson Lima durante sua gestão no governo do Amazonas.
A operação investiga suspeitas de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento eleitoral irregular. A Justiça Eleitoral determinou o bloqueio de mais de R$ 17 milhões em bens e valores, além do cumprimento de seis mandados de busca e apreensão. José Nilmar está entre os alvos e é apontado como beneficiário direto de recursos desviados da agência.
Segundo a investigação, pagamentos milionários foram feitos a duas empresas. Parte dos valores teria sido transferida para a conta bancária de Nilmar, enquanto cerca de R$ 831 mil teria sido usada para despesas de sua campanha.
A denúncia apresentada ao TRE-AM também cita outros 12 órgãos e entidades ligados ao governo do Amazonas, que teriam mobilizado servidores e ocupantes de cargos comissionados para atos da coligação, com registro de presença no site.
A AADESAM ainda é investigada por uma movimentação de pessoal entre 1º e 3 de julho deste ano, período em que foram registradas 461 demissões e 140 admissões. O Ministério Público Eleitoral apura se as mudanças tiveram relação com as restrições da legislação eleitoral.
Em agosto, a Justiça Eleitoral determinou a reintegração de 461 trabalhadores e suspendeu novas contratações e dispensas relacionadas ao período investigado. Também ordenou a preservação dos registros das movimentações para aprofundar a apuração.
Os citados foram procurados para apresentar esclarecimentos sobre os fatos. As respostas serão incluídas quando forem recebidas.







