Manaus, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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TRE-AM preserva dados de sistema ligado a atos da campanha de Wilson Lima

Medida busca manter registros de plataforma que teria coletado CPF, zona eleitoral e bairro de participantes de mobilizações em Manaus.

QR Code, CPF e “líder de zona”: Campanha de Wilson Lima é alvo de denúncia por obrigar servidores da AADESAM a participar de mobilizações

A Justiça Eleitoral autorizou parcialmente uma medida cautelar para preservar dados de um sistema online que teria sido usado em mobilizações da campanha de Wilson Lima, candidato ao Senado pelo Amazonas. A denúncia apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) aponta possível convocação de servidores da Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (AADESAM) para atos políticos.

Um dos elementos entregues à Justiça é um QR Code exibido durante um bandeiraço realizado em Manaus, no dia 22 de agosto. O código direcionava os participantes ao site AtivaAM, que solicitava CPF, zona eleitoral e bairro. O acesso dependeria ainda da aprovação de um chamado “líder de zona”.

A preservação dos dados poderá permitir a análise dos registros de acesso e dos cadastros feitos na plataforma durante a investigação. A apuração deve verificar se servidores participaram das mobilizações e se houve eventual oferta de vantagem dentro da agência ou por meio de recursos financeiros.

A denúncia afirma que o domínio foi registrado quatro dias antes do evento, com os dados do titular ocultos, e ficou indisponível horas depois de o sistema ser identificado. A suspeita apresentada ao TRE-AM é que a ferramenta pudesse identificar e controlar a participação de servidores e colaboradores de secretarias e órgãos estaduais, inclusive em publicações de apoio ao candidato nas redes sociais.

Uma mensagem compartilhada no grupo de aplicativo “Eventos – Time Turbo” orientava os participantes a registrar a presença no QR Code. A representação também menciona outros 12 órgãos e entidades ligados ao Governo do Amazonas e aponta possível mobilização de funcionários públicos e ocupantes de cargos comissionados.

Investigações envolvendo a AADESAM

A denúncia foi apresentada no mesmo dia em que a AADESAM foi alvo da Operação Combustão, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (24). A PF investiga um suposto esquema de circulação de recursos provenientes de contratos firmados pela agência entre pessoas físicas e jurídicas ligadas aos fatos apurados.

A investigação da operação trata das eleições de 2022 e apura suspeitas de desvio de recursos públicos, lavagem de capitais e financiamento eleitoral irregular. A Justiça Eleitoral autorizou seis mandados de busca e apreensão e bloqueou mais de R$ 17 milhões em bens e valores dos investigados. Também estão entre as hipóteses investigadas organização criminosa, peculato, corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral.

José Nilmar Alves de Oliveira, ex-presidente da AADESAM e candidato pelo PL nas eleições de 2022, é citado entre os nomes relacionados à investigação. A PF não associou oficialmente a operação, que trata de fatos de 2022, à denúncia sobre o processo eleitoral de 2026.

A AADESAM também é alvo de apuração sobre alterações no quadro de funcionários. Entre os dias 1º e 3 de julho, foram registradas 461 demissões e 140 admissões. Em agosto, a Justiça Eleitoral determinou a reintegração dos 461 trabalhadores, suspendeu novas contratações e dispensas relacionadas ao período investigado e ordenou a preservação de documentos e registros.

As investigações sobre o suposto uso da estrutura pública e a eventual participação de servidores continuam em andamento. As denúncias e medidas cautelares não representam conclusão de responsabilidade ou condenação dos envolvidos.

Texto produzido pela Redação Rumo ao Destino com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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