LAIKIPIA, QUÊNIA — A cobertura de árvores em parcelas de uma savana do Quênia caiu para trinta e seis vírgula cinco por cento após o retorno de elefantes, girafas e outros herbívoros. O índice, medido em 2025, ficou próximo dos trinta e seis vírgula dois por cento registrados antes do isolamento da área por cercas.
O experimento foi realizado no Mpala Research Centre, em Laikipia. Durante dezoito anos, parcelas de terra permaneceram isoladas da circulação dos animais. Nesse período, a densidade de árvores aumentou e ultrapassou sessenta por cento de cobertura florestal.
Efeito da retirada das cercas
A desmontagem das cercas ocorreu em 2017. Com a reabertura das parcelas, elefantes africanos e girafas reticuladas voltaram a circular pelo local, consumindo folhas, caules e copas e quebrando galhos. A pressão sobre a vegetação abriu o dossel arbóreo e permitiu maior chegada de luz à camada rasteira.
A ausência prolongada dos herbívoros havia reduzido o consumo e a derrubada de partes das plantas. Com isso, as espécies lenhosas avançaram sobre a área, que passou de uma paisagem aberta para uma formação mais fechada.
A ação dos animais ocorreu em diferentes níveis da vegetação. Girafas consumiram folhas nas copas elevadas, enquanto elefantes derrubaram e quebraram galhos. Impalas e dik-diks pastaram na vegetação rasteira, e os impalas também consumiram brotos que surgiam no solo.
Regulação da vegetação
As medições indicaram que a circulação conjunta de herbívoros removeu parte da biomassa lenhosa acumulada durante o período de isolamento. O resultado aproximou a estrutura da área daquela observada antes da instalação das cercas e impediu a formação de uma floresta contínua na savana.
As observações foram consolidadas em publicação na Ecology Letters, sob liderança de Tyler C. Coverdale. O experimento mostrou que a retirada da fauna pode alterar a estrutura de ecossistemas abertos e que o aumento da cobertura de árvores não representa necessariamente a manutenção de sua configuração original.
A pesquisa também destacou a atuação complementar de animais de diferentes portes. Enquanto os megaherbívoros interferiram em galhos e copas, os herbívoros menores consumiram brotos e vegetação próxima ao solo, mantendo diferentes frações da biomassa sob consumo contínuo.







