O escritor e historiador Rodrigo Trespach lançou o livro 1826, dedicado ao início da colonização alemã no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. A obra recupera a chegada de 421 imigrantes a Torres, em 17 de novembro de 1826, e a formação de dois núcleos coloniais na região.
Publicado pela Citadel, o volume tem 320 páginas e preço de R$ 79,90. O subtítulo apresenta os temas centrais do livro: a caravana pioneira, a comunidade protestante do Vale do Três Forquilhas e os católicos da Colônia São Pedro.
A divisão dos imigrantes
O grupo que chegou a Torres era formado por 86 casais, 64 solteiros e mais de 180 crianças e adolescentes. Os imigrantes foram separados de acordo com a religião. Os protestantes se estabeleceram em junho de 1827 às margens do Rio Três Forquilhas, em áreas que hoje correspondem aos municípios de Três Forquilhas e Itati.
Os católicos chegaram à Colônia de São Pedro Alcântara em 1828. O núcleo ficava entre as lagoas do Morro do Forno e do Jacaré, território que atualmente reúne Dom Pedro Alcântara e Morrinhos do Sul.
A separação ocorreu depois da chegada, quando foi constatado que não havia terras suficientes no espaço inicialmente previsto e que parte dos lotes era alagadiça. Os protestantes estavam acompanhados de um pastor e foram deslocados para o Vale do Três Forquilhas. Os católicos permaneceram mais próximos de Torres, onde havia a igreja de São Domingos e atendimento religioso.
A viagem até os locais de instalação incluiu o deslocamento por mar entre a Europa e o Brasil, a passagem pelo litoral até Rio Grande e Porto Alegre e, depois, um percurso terrestre. De Porto Alegre, os imigrantes seguiram em cinco embarcações pelo Guaíba até o Rio Capivari. O restante do trajeto foi feito em carretas puxadas por bois, com travessias de rios e arroios ao longo de quase 200 quilômetros.
Produção e comunicação
Segundo Rodrigo Trespach, a falta de estradas fez com que os colonos utilizassem as lagoas para transportar a produção até a capital gaúcha. “As lagoas tornaram-se a via de ligação com a capital”, afirmou o historiador.
As colônias produziam rapadura, cachaça, couro curtido e correias para montaria. O couro era utilizado na fabricação de calçados, luvas, bolsas e forrações. Entre os produtos agrícolas estavam algodão, café, mandioca, milho, feijão, banana, laranja e anil. O comércio atendia principalmente a região serrana.
Durante os primeiros 25 anos, as duas colônias permaneceram isoladas. A comunicação dos protestantes com outras áreas era feita principalmente por tropeiros que subiam a região serrana. Os católicos mantinham vínculos maiores com Torres e o sul de Santa Catarina. Após a Revolução Farroupilha, o escoamento da produção e as relações comerciais se tornaram mais frequentes, ampliando o contato com as colônias do Vale do Sinos e de outras áreas.
O livro também se relaciona às pesquisas anteriores de Trespach sobre a imigração alemã. Em 1824, publicado originalmente em 2019 e com segunda edição em 2023, o autor abordou a situação europeia que motivou a migração e a implantação do núcleo colonial em São Leopoldo.
As atividades do bicentenário incluem encontros mensais com historiadores e pesquisadores, realizados desde março em cidades da região. O encontro final está previsto para Torres, em 17 de novembro, data associada à chegada dos pioneiros em 1826. A pesquisa do livro teve apoio da Sicredi Caminho das Águas.








