Manaus, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Bonito discute venda direta de passeios e futuro do Voucher Único

Mudança pode alterar a distribuição da receita entre agências, atrativos e outros canais de venda, sem retirar o controle da visitação.

Bonito discute venda direta de passeios e futuro do Voucher Único
Foto: Divulgação

O sistema que organiza o acesso aos principais atrativos de Bonito está no centro de uma discussão sobre a venda de passeios. Criado em 1995 pelo Conselho Municipal de Turismo (Comtur), o Voucher Único controla o fluxo de visitantes, contribui para a proteção ambiental e define a participação das agências locais nas reservas.

Atualmente, agências de fora do município não comercializam os passeios. A prefeitura e parte dos empresários defendem que os próprios atrativos possam vender diretamente ao turista, mantendo o controle de vagas, horários e limites de visitação. “A ideia é ampliar a participação de operadores e agentes de viagens na venda de Bonito”, disse o prefeito em julho.

Venda direta já ocorre na região

A abertura não começaria do zero. Levantamento da Associação dos Atrativos Turísticos de Bonito e Região (Atratur) aponta que 17 dos 26 associados já vendem passeios diretamente ao consumidor.

Entre os 18 associados instalados em Bonito, nove têm agências próprias credenciadas: Bonito Scuba, Cabanas Aventura, Parque das Cachoeiras, Abismo Anhumas, Gruta Catedral, Praia da Figueira, Eco Park Porto da Ilha, Balneário Estrela do Formoso e Balneário do Sol. Os oito associados localizados em Bodoquena, Jardim e Miranda não estão submetidos à regra municipal de Bonito. Mesmo assim, também fazem vendas diretas e utilizam o mesmo sistema de agendamento.

A mudança em debate afetaria principalmente os atrativos de Bonito que ainda dependem das agências locais para comercializar os passeios.

Receita e organização da viagem

Para as empresas do setor, a discussão envolve mais do que a emissão do voucher. Se o turista continuar comprando a mesma quantidade de passeios, mas passar a fazer parte dessas compras diretamente com os atrativos, uma parcela da receita poderá deixar de passar pelas agências.

Também existe a possibilidade de plataformas de reservas e grandes operadores nacionais ou internacionais disputarem esse mercado. Nesse cenário, a venda direta não garantiria que todo o dinheiro permanecesse em Bonito.

As agências locais costumam combinar diferentes atrações, horários e deslocamentos. Também orientam o visitante, montam roteiros e acompanham alterações durante a estadia. O atendimento pode ser feito na própria cidade quando surge algum imprevisto.

No ano passado, os atrativos localizados em Bonito receberam 880.669 visitantes, número superior ao período pré-pandemia.

A Azul Viagens, que mantém parceria estratégica com a Bonito Way, considera as agências parte da estrutura do destino. Para Giulliana Mesquita, diretora da empresa, elas fazem a ligação entre Bonito, operadoras e mercados emissores de várias regiões do Brasil e do exterior.

“Bonito se tornou uma referência nacional em ecoturismo justamente por combinar preservação ambiental, organização turística e fortalecimento de toda a cadeia do setor”, afirma Giulliana.

Impacto sobre a cadeia local

Silvio Bertold, da Bertoldi Viagens e Turismo, de Curitiba (PR), acompanha o destino há anos e foi pioneiro no turismo educacional na região. Para ele, a análise da mudança deve incluir guias, transporte, hospedagem, alimentação, fornecedores e outros serviços ligados à circulação de turistas.

Bertold também afirma que a força de Bonito ajudou a projetar atrativos de municípios vizinhos e a colocar a região da Serra da Bodoquena no mapa do ecoturismo brasileiro. Na avaliação dele, uma alteração no modelo pode atingir trabalhadores e empresas que dependem da atividade turística.

Tecnologia e fiscalização

Luiz Del Vigna, diretor-executivo da Associação Brasileira de Turismo de Aventura (Abeta), defende a manutenção do controle de vagas, horários e limites de visitação. Ele questiona, porém, a exigência de que a compra seja feita por uma agência local e considera possível que agências e atrativos concorram pela preferência dos visitantes.

A prefeitura abriu, em agosto, uma licitação para contratar uma plataforma integrada de Voucher Digital. A estrutura deverá reunir operação, integração de dados, estatísticas, controle ambiental e governança turística.

O sistema atual também já registrou problemas de fiscalização. Em janeiro deste ano, a prefeitura informou ter identificado possíveis irregularidades cadastrais e eventual falsificação em vouchers relacionados à cobrança da Taxa de Conservação Ambiental (TCA).

Uma análise no sistema Turista por Natureza encontrou 5.663 turistas associados a possíveis cadastros irregulares de isenção. Em alguns casos, o município de residência informado era Bonito, mas dados de CPF e telefone indicavam origem em outros Estados. As agências envolvidas foram notificadas para prestar esclarecimentos.

O episódio não permite concluir que a venda direta aumentaria ou reduziria fraudes. Ele mostra, porém, a necessidade de manter mecanismos de fiscalização e integração de dados caso os canais de comercialização sejam ampliados.

A discussão, portanto, envolve a possibilidade de ampliar a liberdade de venda sem retirar o controle sobre a entrada nos atrativos. Também coloca em debate a distribuição da receita e a função das empresas locais na organização da experiência do visitante.

Texto produzido pela Redação Rumo ao Destino com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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