Aves migratórias noturnas podem combinar padrões das estrelas e informações do campo magnético da Terra para manter a direção durante o voo. A importância de cada pista varia conforme a espécie, a idade, a experiência, a estação e as condições de iluminação.
O céu estrelado oferece relações entre pontos luminosos que mudam de posição ao longo da noite, mas giram em torno de uma direção de referência. Estudos com céus artificiais indicaram que algumas aves aprendem a reconhecer esse movimento para orientar a migração. Elas não precisam identificar constelações pelos nomes usados pelos humanos; utilizam as relações observadas no cenário celeste.
A experiência influencia esse aprendizado. Aves jovens expostas a um céu artificial que girava em torno de outro ponto desenvolveram uma referência de direção diferente. O resultado indica um comportamento adquirido com pistas ambientais, e não necessariamente uma bússola estelar completamente pronta desde o nascimento.
O papel do campo magnético
A direção e a inclinação do campo magnético variam pelo planeta. Em experimentos, pesquisadores alteram esse campo ao redor de aves migratórias e observam o rumo que elas tentam seguir. Em pequenos pássaros, a preferência de direção mudou quando a pista magnética foi modificada, inclusive em noites claras, nas quais as estrelas permaneciam visíveis.
Em um teste com aves do gênero Sylvia, a direção magnética fornecida aos animais foi girada enquanto as estrelas indicavam outra referência. Em certas condições, as aves seguiram o campo magnético alterado. O resultado mostrou que essa pista teve peso importante naquele experimento, mas não definiu uma regra permanente para todas as situações.
Nuvens e iluminação urbana
As nuvens impedem a visão das estrelas, mas não eliminam todas as referências. Em espécies estudadas, o campo magnético pode ajudar na orientação, enquanto sinais do horizonte e da luz ao amanhecer contribuem para ajustar a rota. A relevância de cada informação muda conforme o contexto.
A iluminação artificial também pode atrair, desviar ou desorientar aves em determinadas situações, especialmente perto de edifícios e áreas muito iluminadas. O efeito depende da intensidade, da cor, do tempo de exposição, do clima e da espécie. Além disso, há risco de colisões e de gasto extra de energia.
Reduzir a iluminação desnecessária durante períodos de migração é uma medida estudada para diminuir colisões. A orientação magnética não pode ser observada diretamente em um vídeo: ela é inferida por experimentos que alteram pistas e comparam as escolhas de rumo.
Manter uma direção não é o mesmo que localizar-se ou corrigir um desvio. A bússola ajuda a seguir um rumo, enquanto outras informações são necessárias para ajustar o percurso. Por isso, a migração noturna resulta da integração de sinais, e não da dependência de uma estrela fixa. Vento, alimento, relevo e cidades também fazem parte das condições encontradas durante a viagem.







