JB Carvalho, fundador e presidente da Comunidade das Nações, defende que Nossa Senhora Aparecida deixe de ser a padroeira do Brasil. A posição aparece no livro A Bomba: A verdade pode ser explosiva, publicado em 2001, e foi resumida pelo bispo na frase: “A lei que estabelece Aparecida como padroeira no Brasil é ilegal.”
Carvalho é uma liderança religiosa próxima de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência e frequentador da igreja. Em 2024, Flávio e Fernanda Bolsonaro foram batizados na Comunidade das Nações. Em dezembro de 2025, dois dias depois de anunciar sua pré-candidatura à Presidência, o senador escolheu o templo para sua primeira aparição pública após o anúncio.
A ligação também aparece no uso de livros do bispo pela família. Em novembro de 2025, Flávio levou Metanoia: A chave está em sua mente ao visitar Jair Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Em janeiro de 2026, Michelle Bolsonaro levou a Jair Bolsonaro o livro A jornada de meninos a homens.
Críticas no livro
Na obra de 2001, Carvalho dedica capítulos à crítica da devoção mariana. O índice inclui temas como “A Rainha dos Céus”, “O Reavivamento Mariano”, “As Aparições da Rainha dos Céus”, “A Rainha dos Céus no Brasil” e “Derrubando seu trono”.
Além de contestar a condição de padroeira, o bispo afirma que o feriado de 12 de outubro seria ilegal e defende a retirada desse título. Em outro trecho, convoca cristãos a pressionarem representantes da Câmara e do Senado para mudar a condição de Aparecida.
Carvalho também rejeita a associação entre Nossa Senhora Aparecida e Maria. No livro, afirma: “Aparecida não é Maria; Lourdes ou Fátima não se tratam de Maria.” Ele relaciona essas devoções a antigas divindades pagãs e escreve que Maria não seria mediadora, intercessora ou senhora.
A proximidade de Carvalho com o grupo político de Jair Bolsonaro antecede a campanha. Em setembro de 2021, ele participou, no Palácio do Planalto, de uma reunião de lideranças evangélicas sobre a indicação de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal. No ano seguinte, durante um encontro de Bolsonaro com pastores, disse esperar que os brasileiros reconhecessem o ex-presidente como resposta às orações da igreja.
Em dezembro de 2021, Carvalho recebeu a Ordem de Rio Branco, criada em 1963 para distinguir pessoas, instituições e personalidades por serviços considerados meritórios ao país.








