TSUSHIMA — Análises genômicas descartaram hibridização recente em um felino selvagem de cauda curta encontrado na ilha japonesa de Tsushima. A aparência do animal levantou suspeitas de cruzamento com gatos domésticos, mas os testes indicaram a preservação da linhagem nativa.
Três felinos foram observados com caudas que tinham quase metade do tamanho considerado normal. O indivíduo capturado apresentava uma cauda de dez centímetros, enquanto os exemplares típicos exibiam dimensões maiores. Como mutações semelhantes são frequentes em raças domésticas japonesas, a característica gerou preocupação entre biólogos conservacionistas.
O que mostrou o sequenciamento
Cientistas sequenciaram o genoma do animal e compararam suas sequências com as de felinos selvagens e domésticos da região. O objetivo era identificar fragmentos de herança compartilhada e possíveis sinais de cruzamento no arquipélago.
Os dados apontaram que a contribuição ancestral de gatos domésticos era inferior a uma fração ínfima de um por cento. O material mitocondrial pertencia exclusivamente ao grupo selvagem original, indicando que o indivíduo integrava a espécie nativa preservada na ilha.
Os pesquisadores também examinaram genes associados ao encurtamento da cauda catalogados na medicina felina. O felino não apresentou essas variantes conhecidas. A avaliação indicou que uma mutação espontânea e restrita ao território insular poderia explicar a característica, sem alterar a origem ecológica da população.
Monitoramento e conservação
A população do felino é estimada em cem indivíduos, o que o coloca entre os animais mais vulneráveis do planeta. A confirmação de que não há contaminação recente por gatos domésticos orienta os planos de preservação e as medidas de manejo no Japão.
A investigação também mostrou que fotografias e observações de campo, isoladamente, podem levar a diagnósticos incorretos de hibridização. Por isso, os pesquisadores destacam a necessidade de dados genéticos antes de intervir em populações ameaçadas e de acompanhar mutações naturais exclusivas do ecossistema insular japonês.
A origem exata do encurtamento da cauda ainda não foi esclarecida. O monitoramento em Tsushima deverá buscar novos indivíduos com a mesma característica para avaliar possíveis impactos na sobrevivência dos animais e contribuir para o estudo da evolução dos carnívoros selvagens.







