HERVEY BAY — Um filhote de golfinho repetiu os movimentos da mãe ao manipular uma grande carapaça marinha, em uma cena registrada por biólogos na costa australiana. O comportamento reacendeu a hipótese de que a técnica de caça conhecida como shelling possa ser aprendida entre gerações.
Como funciona o shelling
Durante a caça, alguns golfinhos usam uma concha vazia encontrada no leito oceânico para encurralar peixes. O animal leva o objeto até a superfície, movimenta a carapaça para retirar a água acumulada e engole a presa que ficou presa no interior.
A estratégia também permite retirar peixes de áreas escondidas, em vez de persegui-los em espaços abertos. Por selecionar e manusear um objeto externo para facilitar a captura, a atividade é classificada por pesquisadores como uso de ferramenta.
Registro em Hervey Bay
Em Hervey Bay, no estado de Queensland, uma fêmea adulta foi observada levantando uma grande carapaça marinha. O peixe escapou, e a mãe abandonou o objeto para persegui-lo na água.
Três minutos depois, o filhote se aproximou da concha e repetiu movimentos semelhantes aos realizados pela fêmea. O jovem segurou a mesma peça e a manipulou de maneira parecida com o comportamento observado anteriormente.
O episódio foi interpretado como uma possível evidência de aprendizado vertical, no qual um animal aprende com outro de geração diferente. Registros anteriores em outras regiões costeiras indicavam que a prática poderia ser aprendida apenas com indivíduos da mesma idade.
Hipótese ainda depende de novas observações
A cena, porém, não comprova que houve ensino formal nem que o filhote incorporou a habilidade naquele momento. A comunidade científica mantém cautela porque se trata de um registro isolado. Novas observações serão necessárias para confirmar a transmissão social da técnica.
Grupos de golfinhos separados por milhares de quilômetros também apresentam comportamentos semelhantes, o que sugere o desenvolvimento independente de estratégias diante de desafios comuns. Para os pesquisadores, esses repertórios compartilhados reforçam a discussão sobre cultura comportamental e capacidade cognitiva dos cetáceos.
A preservação de santuários ecológicos marinhos é apontada como necessária para manter essas linhagens e permitir a continuidade dos estudos sobre os comportamentos no habitat natural.







