A OnilX, empresa de criptoativos alvo de uma ordem de suspensão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), enfrenta mais de uma centena de processos judiciais após investidores relatarem dificuldades para resgatar valores. Paulo Guedes, ex-ministro da Economia, atuou em palestras, consultorias, reuniões com investidores e eventos ligados à companhia, embora não apareça no quadro societário.
A empresa captava recursos com a promessa de rendimentos de até 2,8% ao mês e de alta liquidez. Investidores afirmam ter aplicado milhões de reais em criptoativos e stablecoins e suspeitam de um esquema de pirâmide financeira. As ações foram apresentadas nas Justiças do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Alagoas e Pará.
Um casal pediu à Justiça a recuperação de R$ 876.513,00. Segundo a petição inicial, os investidores fizeram novos aportes depois de participar de uma reunião com Guedes na sede da OnilX, em abril. Cerca de quatro meses depois, em agosto, tentaram sacar os recursos, mas não conseguiram.
Em outro processo, uma empresa cobra o resgate de R$ 632.183,33. Mensagens anexadas ao caso mostram uma assessora mencionando a presença de Guedes no escritório da companhia em São Paulo, na região da Faria Lima, para convencer um cliente a investir.
Decisão da CVM
Em 12 de janeiro de 2026, a Superintendência de Relações com o Mercado e Intermediários da CVM publicou o Ato Declaratório nº 24.680 e determinou a suspensão imediata da oferta pública de serviços de intermediação de valores mobiliários pela OnilX, sob pena de multa diária.
A autarquia concluiu que a empresa não tinha autorização para intermediar valores mobiliários, atuar como assessora de investimentos ou captar recursos. A decisão considerou contratos com promessa de rentabilidade fixa diária ou mensal e operações de arbitragem em moedas estrangeiras no mercado de balcão.
A advogada Anne Caroline Marciquevik passou a representar a OnilX em reuniões com a CVM. Ex-assessora especial de Guedes, ela participou de seis encontros com autoridades da comissão. Em 1º de abril, o colegiado da CVM negou, por maioria, o pedido para revogar a ordem. Na mesma decisão, autorizou a intermediação simples de criptoativos como Bitcoin, Ethereum e USDT quando não houver promessa de rendimento ou contrato de investimento.
Entre 12 de junho e 10 de setembro, foram identificadas 108 ações contra o grupo. Guedes e Fábio Lino, dono da OnilX, não se manifestaram sobre a atuação do ex-ministro e as acusações feitas pelos investidores.
Em nota, a OnilX afirma ter CNPJ ativo, sede no Brasil e cerca de cinco anos de atuação no mercado de ativos virtuais. A empresa diz oferecer compra, venda, troca, intermediação e custódia de criptomoedas e sustenta que a decisão da CVM não impede operações com Bitcoin, Ether e USDT sem promessa de rentabilidade ou contrato de investimento coletivo.







