Douglas Ruas, candidato do PL, é alvo de questionamentos relacionados à atuação política da família, a contratos da Prefeitura de São Gonçalo e a empresas ligadas a ele e à mulher. Os casos incluem uma apuração preliminar do Ministério Público do Rio de Janeiro, um inquérito civil aberto em 2023 e uma auditoria sobre contratos da Secretaria estadual de Cidades, comandada por Ruas entre 2023 e março de 2026.
As suspeitas não permitem afirmar que Douglas tenha pertencido ou pertença a uma milícia. Também não há condenação indicada no caso envolvendo o pai dele, Capitão Nelson. O inquérito relacionado à CPI das Milícias foi arquivado.
Família e atuação política em São Gonçalo
Capitão Nelson é prefeito de São Gonçalo, enquanto Nelson Ruas Filho é vereador no município. Douglas passou pela administração do pai como secretário de Gestão Integrada e Projetos Especiais antes de chegar à Assembleia Legislativa e ao governo estadual.
A secretaria era responsável pela formulação de convênios que permitiam à cidade receber recursos estaduais e federais. Desde 2020, São Gonçalo recebeu R$ 250,5 milhões do chamado orçamento secreto. Desse total, R$ 17,2 milhões foram destinados à pavimentação por indicação do deputado federal Altineu Côrtes, presidente estadual do PL e ex-assessor de Douglas.
Capitão Nelson foi citado na CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio, em 2008, a partir de informações do Disque-Denúncia que o relacionavam a um grupo paramilitar. O procedimento foi arquivado, sem condenação ou processo em curso por aquele episódio. Em 2024, Nelson apresentou à Justiça Eleitoral uma certidão informando que não respondia a processo relacionado ao caso.
Doação e contrato com a prefeitura
Carlos Freitas Neves doou R$ 160 mil para a campanha de Douglas à Assembleia Legislativa do Rio em 2022 e foi o segundo maior financiador individual da candidatura. Três anos depois, uma empresa controlada por Neves assinou contrato de R$ 732 mil com a Prefeitura de São Gonçalo.
O acordo previa pagamentos mensais de R$ 61 mil pela locação de um imóvel para a Fundação Municipal de Saúde. A contratação ocorreu por dispensa de licitação, e a empresa havia sido criada dois meses antes da assinatura.
Mariana Barbosa de Souza, mulher de Douglas, foi sócia de Neves em duas empresas. Ele deixou as sociedades em agosto de 2025, antes da contratação pela prefeitura.
Douglas disse desconhecer o contrato e afirmou que não ocupava cargo na prefeitura quando o negócio foi firmado. A Prefeitura de São Gonçalo declarou que a locação seguiu os procedimentos legais e que o imóvel atendia às necessidades da Fundação de Saúde.
Apurações sobre empresas e patrimônio
Em junho de 2026, o Ministério Público do Rio de Janeiro abriu uma apuração preliminar sobre a Saur Construção, Terraplanagem e Locação, empresa da qual Douglas e o irmão são sócios, e a DM Invest, sociedade que envolve Douglas e a empresária Letícia Felício.
O Ministério Público pediu à Procuradoria-Geral do Estado informações sobre pagamentos do governo do Rio às duas empresas. A PGE informou que não encontrou pagamentos. A assessoria de Douglas afirmou que as companhias não mantêm contratos com órgãos públicos.
Há ainda um inquérito civil aberto em maio de 2023 para investigar possíveis atos de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito envolvendo Douglas e Thiago Saraiva, ex-secretário de Fazenda de São Gonçalo. Até agosto deste ano, o procedimento não havia sido concluído.
Entre 2023 e 2025, empresas ligadas a Douglas e à mulher dele compraram imóveis e precatórios avaliados, nas escrituras, em mais de R$ 15 milhões. A Saur, da qual Douglas detém 90%, adquiriu, entre outros bens, um galpão avaliado em R$ 5 milhões e outro imóvel de R$ 2,4 milhões.
Em documento registrado na Junta Comercial, a Saur declarou R$ 19,6 milhões em lucros acumulados e previu a distribuição dos valores aos sócios até 2028. A participação atribuída a Douglas seria de aproximadamente R$ 15,9 milhões. Ele afirmou que a empresa atua no setor de logística e passou a investir no mercado imobiliário e em ativos financeiros a partir de 2023.
Auditoria na Secretaria de Cidades
Uma auditoria sobre contratos da Secretaria estadual de Cidades apontou possíveis irregularidades e foi encaminhada às autoridades responsáveis pela investigação. Um dos pontos analisados foi um aditivo de aproximadamente 45% em um contrato de recapeamento, que teria passado de R$ 99,7 milhões para R$ 144,9 milhões pouco tempo depois do início da execução.
O relatório também citou relações empresariais envolvendo pessoas próximas a Altineu Côrtes. Como o deputado possui foro, o caso chegou à Procuradoria-Geral da República para avaliação sobre eventual abertura de investigação. Douglas e os demais citados negaram irregularidades.
Os procedimentos têm situações diferentes: parte continua em andamento, a apuração sobre pagamentos às duas empresas não encontrou repasses públicos e o inquérito ligado à CPI das Milícias foi arquivado. Os episódios passaram a integrar os questionamentos sobre a influência política da família Ruas, relações empresariais e uso de recursos públicos em São Gonçalo.








