WASHINGTON — A China anunciou o envio de dois pandas ao zoológico de Atlanta e convidou 100 mil jovens norte-americanos para estudar no país nos próximos cinco anos. O gesto ocorreu durante o encontro entre Xi Jinping e Donald Trump, marcado por sinais públicos de aproximação, mas também por divergências sobre tecnologia, Taiwan, a guerra do Irã e comércio.
A trégua tarifária entre Estados Unidos e China foi prorrogada por dois meses. O acordo venceria em 10 de novembro e, segundo o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, o novo prazo vai até fevereiro. A extensão reduz temporariamente o risco de uma nova escalada comercial entre as duas maiores economias do mundo, mas não representa um entendimento definitivo.
Tecnologia e Taiwan
Xi defendeu que a inteligência artificial deve permanecer sob controle humano e ser usada em favor do bem-estar das pessoas. Os dois países também discutem um mecanismo de notificação para incidentes relacionados à tecnologia.
A China quer que os Estados Unidos flexibilizem as restrições à exportação de chips avançados. Washington mantém controles sobre chips, softwares e equipamentos de fabricação de semicondutores destinados ao mercado chinês, em uma tentativa de frear o avanço do país na corrida por inteligência artificial.
Taiwan foi outro ponto de tensão. Xi pediu prudência a Trump e pressionou pelo fim permanente da venda de armas norte-americanas à ilha, considerada por Pequim o tema mais sensível da relação bilateral. Em maio, Trump havia tratado o armamento de Taiwan como uma possível moeda de troca nas negociações.
Sinais públicos de aproximação
Xi voltou a Washington nesta quinta-feira (24), depois de mais de uma década sem visitar a Casa Branca. Trump recebeu o líder chinês na base aérea de Andrews, onde os dois acompanharam a execução dos hinos nacionais. A programação incluiu um passeio no helicóptero Marine One e um jantar de gala com pratos como veloutê de abobrinha amarela, robalo crocante de gergelim e sorvete de mel produzido na Casa Branca.
Trump descreveu a relação com Xi como uma amizade construída sobre respeito mútuo e os interesses dos povos dos dois países. Xi adotou um tom mais formal e afirmou que Estados Unidos e China carregam uma responsabilidade histórica para conduzir a relação bilateral a um curso estável.
O líder chinês também repetiu a referência à armadilha de Tucídides, conceito que descreve o risco de conflito quando uma potência em ascensão desafia outra já estabelecida. Para Xi, diálogo e confiança mútua podem superar esse risco.
Comércio e guerra do Irã
Além de buscar mais espaço para produtos agrícolas no mercado chinês, os Estados Unidos querem manter a pressão por concessões de Pequim. Xi, por sua vez, resumiu a expectativa chinesa ao defender uma disputa em que os países busquem alcançar um ao outro, e não uma queda de braço com vencedor e perdedor.
Na conversa sobre a guerra do Irã, Xi pediu que Trump encerre o conflito por meio de negociação o quanto antes. A China é a principal compradora do petróleo iraniano e tem resistido às pressões norte-americanas para usar essa influência em favor de Washington.
A extensão da trégua pode ser bem recebida por ativos de risco e por empresas expostas ao comércio exterior, mas o adiamento não elimina os conflitos. A possibilidade de um novo encontro no G20, em dezembro, em Miami, aparece como parte da pressão mantida por Trump.
Mesmo com a guerra comercial, as importações chinesas para os Estados Unidos continuam crescendo. O país caminha para registrar, pelo segundo ano seguido, um superávit comercial de US$ 1 trilhão com os norte-americanos. Analistas continuam céticos sobre acordos duradouros para os principais pontos de atrito.







