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Zuenir Ventura deixou legado no jornalismo e na proteção de uma testemunha

O jornalista ganhou reconhecimento por reportagens sobre Chico Mendes e pela formação de repórteres no Jornal do Brasil.

Zuenir Ventura deixou legado no jornalismo e na proteção de uma testemunha

A cobertura da morte de Chico Mendes resume duas dimensões da trajetória de Zuenir Ventura: o trabalho jornalístico e a preocupação com as pessoas envolvidas na notícia. No fim dos anos 1980, ele foi enviado ao Acre para produzir uma série de reportagens que recebeu o prêmio Esso de Jornalismo em 1989. Também assumiu a tutela de Genésio Ferreira da Silva, adolescente de 13 anos que testemunhou a conspiração pelo assassinato do líder seringueiro.

Zuenir morreu em 2026, aos 95 anos. Mineiro nascido em Além Paraíba e criado em Nova Friburgo (RJ), foi preso por três meses após o decreto do AI-5, quando trabalhava na revista Visão. Ao longo da carreira, passou por Correio da Manhã, Fatos&Fotos, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil e, nos últimos anos, O Globo.

No Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro, atuou como editor do caderno Ideias e participou de projetos editoriais. Também comandou por seis meses o caderno Cidade. Para colegas mais jovens, sua rotina combinava cobrança pela precisão e liberdade para que repórteres desenvolvessem o próprio trabalho.

Uma lembrança desse método envolve a data do discurso de Márcio Moreira Alves, episódio relacionado ao AI-5. Em 1988, enquanto finalizava 1968: O Ano que não Terminou, Zuenir conferiu a informação e identificou que o discurso havia ocorrido em 2 de setembro de 1968, e não em 3 de setembro, como havia sido publicado na matéria da repórter.

A obra de Zuenir também inclui Cidade Partida e Chico Mendes — Crime e Castigo. Na apuração sobre o líder seringueiro, ele permaneceu no Acre por um mês, embora a previsão inicial fosse de quatro ou cinco dias. O então editor-chefe do Jornal do Brasil, Marcos Sá Corrêa, afirmou que o jornalista voltou com uma cobertura capaz de apresentar os diferentes lados da história e com a testemunha que ajudaria a levar os assassinos à cadeia.

Genésio permaneceu sob a proteção de Zuenir até a maioridade. Depois de anos no Rio, voltou para o Norte e manteve a relação com Mauro Ventura, filho do jornalista. Zuenir e Mauro ajudaram a editar Passaro Sem Rumo, uma Amazônia Chamada Genésio, lançado em 2015 em parceria com o Instituto Vladimir Herzog.

Em dezembro de 2024, Genésio foi reencontrado em Xapuri, no Acre, durante a 36ª Semana Chico Mendes, que coincidiu com o 80º aniversário de nascimento do ambientalista. A lembrança daquele encontro foi compartilhada com Mauro Ventura.

Zuenir ocupou a cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo Ariano Suassuna. Ao tomar posse, falou sobre o nervosismo diante da nova função e disse: “O peso simbólico desse fardão é muito maior do que o peso físico”. Para os jornalistas que conviveram com ele, porém, o reconhecimento já existia antes da entrada na ABL. Seu legado ficou associado à crônica, à literatura, à investigação jornalística e ao ensino pelo exemplo.

Texto produzido pela Redação Rumo ao Destino com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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