Manaus, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Como as abelhas africanizadas mudaram a apicultura brasileira

Experimento iniciado por Warwick Kerr para adaptar abelhas ao clima tropical provocou mudanças na produção de mel do país.

Como as abelhas africanizadas mudaram a apicultura brasileira

Na década de 1950, o geneticista Warwick Estevam Kerr buscava uma solução para a baixa adaptação das abelhas europeias ao clima tropical brasileiro. A produção de mel enfrentava limitações em várias regiões, e a proposta era desenvolver populações mais produtivas e resistentes às condições ambientais do país.

O experimento na África

Em 1956, Kerr viajou à África para coletar rainhas de diferentes populações. O objetivo não era substituir todas as abelhas brasileiras por africanas, mas criar um programa de melhoramento genético. A estratégia previa combinar características como maior produção de mel, adaptação ao calor, capacidade de buscar alimento e comportamento mais manejável por meio de cruzamentos selecionados.

As abelhas africanas tinham características favoráveis à produção, mas eram mais defensivas. Por isso, o plano previa cruzá-las com linhagens europeias, especialmente italianas, e selecionar, ao longo das gerações, colônias que reunissem produtividade, adaptação e menor agressividade.

As rainhas foram colocadas em núcleos experimentais com medidas destinadas a impedir sua dispersão. Em 1957, porém, telas usadas para bloquear a saída das colmeias foram retiradas de parte das instalações. Quando o problema foi percebido, 26 famílias já haviam enxameado ou migrado e passaram a se reproduzir fora do apiário.

A expansão das abelhas africanizadas

Fora do controle dos pesquisadores, os descendentes dessas abelhas cruzaram com populações europeias que já estavam espalhadas pelo Brasil. O processo formou as chamadas abelhas africanizadas, com genes de diferentes subespécies de Apis mellifera.

Nos primeiros anos, os apicultores enfrentaram dificuldades para lidar com essas populações. Elas eram mais defensivas, enxameavam com maior facilidade e reagiam de forma diferente das linhagens europeias. Houve abandono de apiários por produtores despreparados, ataques relacionados ao posicionamento inadequado das colmeias e necessidade de alterar equipamentos, técnicas e locais de instalação. Também foi necessário treinamento específico.

Kerr reconheceu posteriormente a gravidade do episódio e relatou que passou anos sendo associado aos problemas provocados pela introdução das abelhas africanas.

Com o tempo, pesquisadores e apicultores adaptaram o manejo, instalaram colmeias em locais mais adequados e mantiveram a seleção genética de populações de interesse produtivo. As abelhas africanizadas demonstraram capacidade de adaptação ao clima brasileiro, eficiência na busca por alimento e bom desempenho na produção de mel. Revisões sobre a história da apicultura nacional também destacam benefícios relacionados à polinização agrícola.

Atuação de Warwick Kerr

O trabalho de Kerr não se limitou às abelhas africanizadas. Ele atuou em genética, zoologia e estudos de espécies nativas sem ferrão, além de participar da formação de pesquisadores e apicultores ao longo de décadas.

O experimento alterou o caminho planejado, mas suas consequências ultrapassaram o laboratório. As abelhas africanizadas se tornaram predominantes na apicultura brasileira, enquanto os produtores desenvolveram formas de manejar suas características e aproveitar sua adaptação e produtividade.

Texto produzido pela Redação Rumo ao Destino com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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