Pesquisadores observaram que formigas carpinteiras da espécie Camponotus floridanus mudam o cuidado prestado a companheiras feridas conforme o local da lesão. Em determinados casos, elas limpam o machucado; em outros, removem parte da perna na articulação.
O estudo foi conduzido por pesquisadores ligados à Universidade de Würzburg e publicado em 2024 na revista Current Biology. Os experimentos analisaram lesões de perna contaminadas, o comportamento das formigas que cuidavam das feridas e a sobrevivência dos indivíduos feridos.
Resposta depende da posição da lesão
Ferimentos no fêmur, localizado na parte superior da perna, foram frequentemente seguidos por amputações realizadas por outras operárias. Quando a lesão atingia a tíbia, mais próxima da extremidade, as companheiras costumavam dedicar mais tempo à limpeza, sem fazer o mesmo tipo de corte.
Os pesquisadores relacionaram essa diferença à anatomia da perna e à velocidade de progressão da infecção. A amputação exige tempo: a companheira usa as peças bucais para cortar o membro no ponto de articulação durante um período prolongado. Em certas condições, esse intervalo pode influenciar a eficácia da resposta.
As formigas também lambiam e limpavam os ferimentos, mantendo atenção direcionada ao local machucado. Nos ensaios com feridas contaminadas, a intervenção social aumentou as chances de sobrevivência em determinadas condições, segundo os autores. O resultado variou conforme a posição da lesão.
Resultado não equivale a uma cirurgia humana
A observação não indica que todas as formigas amputem membros nem que os insetos façam diagnósticos conscientes. O estudo descreve um padrão de comportamento associado ao tipo de ferimento, sem mostrar uma operação guiada por instrumentos ou por conhecimento anatômico humano.
Também não é possível concluir que o comportamento observado na espécie descreva todas as formigas. Outras espécies podem usar secreções com ação antimicrobiana ou apresentar formas diferentes de higiene, enquanto muitas ainda são pouco estudadas.
A pesquisa combinou acompanhamento detalhado, manipulação experimental e comparação da sobrevivência. O resultado mostra que insetos sociais podem responder de maneiras diferentes a ferimentos com consequências distintas. Em Camponotus floridanus, a localização do dano acompanha a escolha entre limpar a lesão e remover parte da perna.







