Manaus, Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
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Apoio evangélico a Augusto Cury amplia disputa pelo voto cristão

Influenciadores e lideranças religiosas defendem voto por convicção, enquanto setores bolsonaristas associam candidato à esquerda.

Como Augusto Cury mobiliza evangélicos nas redes e incomoda o bolsonarismo
Foto: Lima Andruška/Wikimedia Commons

O crescimento de Augusto Cury nas pesquisas eleitorais ampliou a disputa em torno do voto evangélico. Influenciadores e lideranças religiosas passaram a apresentar o candidato como cristão, bem-sucedido fora da política e movido por propósito. Setores bolsonaristas reagiram, associando sua candidatura à esquerda e chamando-a de possível “cavalo de Troia”.

Os dados mais recentes citados mostram avanço de Cury em diferentes levantamentos. No BTG/Nexus, ele passou de 2% para 11% das intenções de voto entre as duas últimas rodadas. Na AtlasIntel, subiu de 3% para 7,8%. A Quaest registrou 10%, enquanto o Datafolha apontou 8%, em terceiro lugar, atrás de Lula, com 38%, e Flávio Bolsonaro, com 33%.

A movimentação nas redes evangélicas começou antes da divulgação desses resultados, conforme o relatório Narrativas Evangélicas e Contexto Eleitoral, produzido pela Casa Galileia em parceria com o Instituto Democracia em Xeque. A sétima edição analisou publicações feitas entre 17 e 30 de agosto e acompanha discursos nas áreas de religião e política dentro do ambiente evangélico.

Apoios e argumentos

Entre os defensores de Cury, aparece com frequência a ideia de que ele não precisaria de um cargo público para obter poder ou ganhos financeiros. Essa narrativa é ligada a conceitos como fé, virtude, serviço e propósito.

Uma publicação do influenciador Raphael Soares alcançou 1,4 milhão de interações. A pastora Fabiola Melo, que reúne mais de 3 milhões de seguidores, também declarou apoio. Em resposta a uma seguidora, afirmou que “muitos não sabem, mas ele é crente” e defendeu o voto por convicção, e não por medo, no primeiro turno.

Conteúdos publicados por portais evangélicos também resgataram a trajetória de Cury como ex-ateu que teria se tornado um “cristão sem fronteiras” após estudar a mente de Cristo. Outros posts descreveram sua entrada na política como um “envio divino”.

Pablo Marçal declarou voto em Cury e relacionou seu sobrenome à “cura do Brasil”. Marçal destacou o desejo de ambos de servir ao país e o sucesso profissional dos dois como argumentos para dizer que não teriam interesse em se beneficiar da máquina pública. Cury agradeceu o apoio e disse que sua candidatura nasceu de um propósito.

Reação bolsonarista

A defesa do voto em Cury no primeiro turno também foi apresentada por Marçal como uma forma de permitir que o eleitor escolha quem considera melhor, mesmo diante do argumento de que candidaturas alternativas poderiam favorecer Lula. Ele afirmou que nomes da direita poderiam ter bom desempenho nessa etapa e se alinhar contra o governo em uma eventual segunda rodada.

Setores bolsonaristas do campo evangélico passaram a criticar Cury por estar em um partido apontado por esses perfis como aliado ao PT. A imagem do “cavalo de Troia” foi usada para sugerir que a candidatura esconderia posições diferentes daquelas percebidas por parte do público cristão.

A defesa da pacificação e da união também foi questionada. O pastor Wesley Ros publicou um texto como “ex-admirador e ex-leitor” e recuperou uma passagem do livro Dez leis para ser feliz, na qual Cury elogia o choro de Lula durante um discurso realizado em 2013.

Nesse cenário, os críticos de Cury apresentam Flávio Bolsonaro como a alternativa mais viável para derrotar Lula. O debate opõe, de um lado, o voto por convicção e os valores cristãos e, de outro, a escolha baseada em viabilidade eleitoral e em questionamentos sobre a posição política e religiosa do candidato.

O relatório aponta que a eleição de 2026 é marcada por diferentes disputas sobre os valores que devem orientar o voto cristão. A análise foi assinada por Andréa Laís, que trabalha com campanhas na Casa Galileia e tem doutorado em Ciências Sociais, e por Lorena Mochel, antropóloga ligada à pesquisa da instituição e pesquisadora de pós-doutorado na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Texto produzido pela Redação Rumo ao Destino com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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