A Casa Andina transformou uma antiga residência de adobe em hospedagem no vilarejo de Molinos, nos Vales Calchaquíes. O espaço recebe visitantes durante todas as estações do ano e combina arquitetura tradicional, produtos locais e soluções para o uso responsável de recursos.
Lucía e Mateo deixaram a rotina das grandes cidades, marcada por barulho e compromissos intensos, para viver na província de Salta. Em Molinos, encontraram montanhas, silêncio e uma rotina mais simples.
A mudança exigiu adaptação. O vilarejo está a mais de dois mil metros de altitude, tem clima seco, ventos constantes e estradas de terra. As oscilações de energia e a instabilidade do sinal telefônico também fizeram o casal planejar as compras com cuidado. Nesse processo, os vizinhos ajudaram a lidar com os períodos de poeira e com o ritmo do povoado.
Recuperação da casa e experiências
A construção da Casa Andina fica na via central e foi recuperada com a participação dos moradores da região. A estrutura manteve características da arquitetura tradicional de adobe, enquanto painéis solares passaram a gerar parte da eletricidade usada no local. Um reservatório armazena água da chuva.
A hospedagem oferece alimentos preparados com ingredientes locais e receitas regionais. O café da manhã inclui pão caseiro e doce de cayote. No pátio aberto, os hóspedes têm vista para as montanhas e podem observar cardones. O espaço também conta com fogão ao ar livre, onde são servidas empanadas saltenhas e vinho torrontés.
A decoração reúne peças produzidas por artesãos do vilarejo. Há ainda uma biblioteca com autores do norte argentino e guias de aves. A proposta inclui convivência com a comunidade e contato com as tradições locais.
Efeito na economia do vilarejo
A presença contínua de hóspedes mantém uma circulação financeira ao longo do ano e favorece produtores rurais, guias e pequenos comerciantes. A Casa Andina também recebe profissionais em trabalho remoto que buscam silêncio para trabalhar.
O projeto combina turismo ecológico e valorização do patrimônio regional, com atenção aos limites da natureza e à preservação da tranquilidade dos vales.







