Manaus, Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
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CBO orienta quando crianças, adultos e idosos devem consultar o oftalmologista

Documento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia reúne intervalos mínimos e fatores que exigem acompanhamento mais frequente da visão.

CBO orienta quando crianças, adultos e idosos devem consultar o oftalmologista

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) recomenda que o acompanhamento oftalmológico comece ainda na maternidade e seja ajustado conforme a idade, a presença de doenças e os fatores de risco. As orientações estão em um documento divulgado durante o 70º Congresso da especialidade.

A entidade afirma que a consulta periódica permite identificar doenças silenciosas e iniciar o tratamento em tempo oportuno. Os intervalos indicados são referências mínimas para pessoas sem doença ocular diagnosticada e sem fatores de risco. Quando há condições específicas, o oftalmologista deve definir a frequência adequada para cada paciente.

Cuidados desde o nascimento

Nas primeiras 72 horas de vida ou antes da alta da maternidade, o pediatra deve realizar o teste do reflexo vermelho. Se houver alteração, o bebê precisa ser encaminhado com urgência ao especialista. O exame pode detectar catarata e glaucoma congênitos, opacidades de córnea, tumores intraoculares, inflamações importantes e hemorragias intravítreas.

Entre 0 a 36 meses, o teste deve ser repetido nas consultas médicas menos três vezes ao ano durante os três primeiros anos, com observação dos marcos do desenvolvimento visual, da fixação e do alinhamento ocular. A primeira avaliação oftalmológica completa é indicada entre 6 a 12 meses.

Dos 3 a 5 anos, a recomendação é de pelo menos uma consulta completa, preferencialmente antes da alfabetização. O atendimento inclui inspeção dos olhos e anexos, avaliação da função visual, testes de motilidade e alinhamento, refração sob cicloplegia e exame de fundo de olho com dilatação.

Os erros de refração não corrigidos são apontados pelo CBO como a principal causa de deficiência visual entre as crianças brasileiras. A ambliopia, conhecida como olho preguiçoso, pode ser prevenida com exame realizado até os 3 anos. Dados internacionais reunidos pelo conselho indicam que 40% das crianças cegas poderiam ter essa consequência evitada ou tratada com acesso ao oftalmologista no momento adequado.

Frequência ao longo da vida

Na idade escolar e na adolescência, até 18 anos, deve haver reavaliação periódica e uma avaliação oftalmológica completa entre 12 e 18 anos. O documento considera essa fase como a de maior surgimento e crescimento da miopia entre estudantes.

Para adultos até 39 anos, o CBO recomenda avaliações periódicas mesmo sem sintomas, porque doenças relevantes podem aparecer sem sinais. A partir dos 40 anos, a orientação passa a ser de consulta anual. Nessa faixa, a prevalência de glaucoma sobe para cerca de 2%, enquanto a presbiopia aumenta progressivamente.

Idosos devem ter acompanhamento anual, no mínimo, com atenção à catarata senil e ao glaucoma. Estimativas baseadas em dados internacionais indicam que a degeneração macular alcança 2,2% dos indivíduos entre 70 e 79 anos e até 10,3% daqueles com 80 anos ou mais.

Situações que exigem acompanhamento específico

Diabetes, histórico familiar de doenças oculares e determinadas exposições podem exigir intervalos menores entre as consultas. No diabetes, cerca de 50% dos pacientes desenvolvem algum grau de retinopatia diabética, proporção que chega a aproximadamente 80% após 25 anos de doença. O CBO recomenda avaliação com pupilas dilatadas desde o diagnóstico e acompanhamento regular, mesmo sem queixas. Gestantes com diabetes devem ter acompanhamento específico.

Parentes de primeiro grau de pessoas com glaucoma têm entre quatro e oito vezes mais chance de desenvolver a doença. Também integram o grupo de risco pessoas com mais de 50 anos, afrodescendentes e pacientes com pressão intraocular elevada. A avaliação deve incluir exame completo, fundoscopia e tonometria.

Ceratocone, distrofias corneanas e retinose pigmentar, entre outras doenças de transmissão genética, justificam avaliação antecipada e acompanhamento periódico dos familiares. Já a miopia aumenta o risco de deslocamento de retina, glaucoma e degeneração macular miópica. Crianças míopes devem ser acompanhadas a cada 12 meses; nos casos não controlados, o intervalo recomendado é de seis meses.

A prematuridade também é um fator de atenção: bebês com peso de nascimento igual ou inferior a 1.500 gramas ou idade gestacional de até 32 semanas precisam ser rastreados para retinopatia da prematuridade nas primeiras semanas, com continuidade do acompanhamento.

O uso prolongado ou recorrente de corticoides, principalmente colírios e pomadas oftálmicas, requer acompanhamento médico. De 30% a 40% dos indivíduos apresentam elevação da pressão intraocular relacionada às medicações, e a proporção fica entre 5% a 6% em situações elevadas. O risco aumenta conforme o tempo de uso.

Usuários de lentes de contato devem passar por avaliação ao menos anual. O intervalo precisa ser menor quando houver suspeita de distorção corneana, alteração refracional ou baixa de acuidade visual com a melhor correção. O documento também recomenda consultas regulares para usuários de canetas emagrecedoras, diante de possível associação com neuropatias ópticas e alterações da retinopatia diabética.

Hipertensão arterial, doenças reumatológicas e autoimunes e medicamentos com potencial de toxicidade ocular exigem vigilância. O tabagismo é considerado fator de risco para degeneração macular, dependendo da idade.

O CBO estima que o Brasil tenha cerca de 1,5 milhão de pessoas cegas. Segundo o conselho, catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular estão entre as quatro maiores causas de cegueira no país e acometem idosos. A entidade afirma que a maior parte das causas de cegueira e deficiência visual é evitável e tratável quando identificada precocemente.

Texto produzido pela Redação Rumo ao Destino com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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