MANAUS — Um chalé associado ao senador Plínio Valério (PSDB-AM) é anunciado no Airbnb por R$ 1.446 por noite. A propriedade fica na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Tupé, no município de Manaus, uma área onde não há terrenos à venda e a construção de pessoas de fora da comunidade é considerada ilegal pelos órgãos responsáveis.
O anúncio identifica o imóvel como “Chalé de Pedra” e informa que o espaço acomoda até dez pessoas. Entre as características listadas estão vista para o Rio Negro, ar-condicionado, wi-fi, espaço de trabalho e suíte com cama queen size. A oferta também menciona transporte personalizado, tabacaria e serviços para aniversários, casamentos e outras datas comemorativas.
O atendimento inclui traslado para a Praia do Tupé, onde está a comunidade de São João do Tupé. O local abriga cerca de 80 famílias.
A responsável pelo anúncio é Luciana Alencar da Silva, enteada de Plínio Valério e assistente parlamentar no gabinete do senador Omar Aziz (PSD-AM). Ela recebe R$ 15.200,24 e também preside a Federação de Wakeboard do Amazonas.
Outras duas filhas de Plínio Valério ocupam cargos ligados a aliados políticos. Alana Barbosa Valério Tomaz é assessora na Secretaria da Fazenda do governo do Amazonas, administrado por Wilson Lima (União Brasil), com salário de R$ 16 mil. Camila Valério Tomaz Soares trabalha como assessora do deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM), com remuneração de R$ 9 mil. Ela está no cargo desde abril de 2021, quando recebia R$ 5 mil.
Situação do imóvel na reserva
O terreno aparece nas declarações de bens de Plínio Valério ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2006. Na declaração de 2010, além do terreno, foi registrada uma casa, com valor total de R$ 30 mil. Na declaração mais recente mencionada, de 2018, consta apenas um terreno no valor de R$ 30 mil, sem localização informada.
A RDS do Tupé integra a Gleba Federal Cuieiras-Tarumã e foi criada pelo Decreto Municipal 8044, de 25 de agosto de 2005. Em 2008, a Prefeitura de Manaus solicitou ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) o repasse das terras ao município. O processo ainda não foi concluído.
O Incra afirma que, por se tratar de uma gleba federal, não existem lotes à venda na área. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade de Manaus (Semmas), responsável pela administração da reserva, declarou: “É ilegal a aquisição de terras no interior da reserva por terceiros, pessoas que não são da comunidade”.
Segundo a Semmas, a reserva foi criada para preservar a natureza e garantir as condições de reprodução, os meios de vida e a exploração dos recursos naturais pelas populações tradicionais residentes na área no momento de sua criação.







