Manaus, Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
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Instituto ligado a produtora de filme sobre Bolsonaro teve tesoureiro no papel

Jacio Dantas afirma que emprestou o nome ao cargo e não participou da entidade; documentos também mostram divergências em assinaturas de atas.

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), comandado por Karina Ferreira da Gama, teve um tesoureiro-geral que afirma nunca ter exercido a função. O eletricista Jacio de Medeiros Dantas aparece em atas como responsável pela tesouraria entre 2014 e 2021, mas disse que apenas emprestou o nome para a entidade e não participou de reuniões ou assembleias.

Dantas afirmou que aceitou o pedido feito pela mãe de Karina, Regina Ferreira da Gama de Nazaré, quando a empresária estruturava uma organização para um projeto de dança. “Eu coloquei meu nome lá porque eu conhecia ela”, disse o eletricista. Ele também declarou: “Não, nunca [atuei como tesoureiro do ICB]”.

O tesoureiro de uma entidade tem atribuições relacionadas à administração financeira, como controle de caixa, pagamentos e recebimentos. Apesar de negar participação, Dantas consta nas atas como tesoureiro-geral eleito em gestões entre 2014 e 2021 e como secretário de assembleias. Seu nome também aparece em listas de presença, embora as assinaturas atribuídas a ele apresentem diferenças entre documentos.

Divergências em atas e documentos

Em uma ata de 29 de setembro de 2014, Dantas assinou como secretário da assembleia que elegeu Karina para a presidência do instituto. Ele também aparece como tesoureiro-geral na lista de presença. Em 2015, assinou uma alteração do estatuto nessa condição.

As rubricas atribuídas a ele nesses documentos diferem das que aparecem em uma ata de 2 de outubro de 2017, referente a outra mudança no estatuto, e na carta de renúncia ao cargo, em janeiro de 2020. Ao analisar imagens de duas assinaturas, Dantas afirmou que nenhuma era sua.

As assinaturas foram comparadas com registros públicos de um processo judicial do qual o eletricista participa. A firma oficial de Dantas, incluindo a registrada em sua carteira de motorista, apresenta semelhanças com as assinaturas de setembro de 2014 e da alteração estatutária de 2015, mas é diferente das que aparecem no documento de 2017 e na renúncia de 2020.

Também foram identificadas divergências nas assinaturas de Rafael Tadeu da Silva Santanna, que teria ocupado a secretaria-geral entre 2014 e 2017, e de Karina Pereira Penha, que teria assumido a função depois da saída dele. A assinatura de Santanna na ata de 2017 não coincide com a de 2014 nem com duas rubricas encontradas em um processo judicial. A de Penha no documento de 2017 é diferente da registrada em uma procuração feita em janeiro de 2023.

Investigações sobre o instituto

O ICB assinou, em 2024, um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalar Wi-Fi público na capital. O acordo é investigado pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de irregularidades.

A Polícia Federal também investiga o possível desvio de recursos de emendas parlamentares destinados ao instituto. Entre os repasses estão R$ 2 milhões enviados pelo deputado federal Mario Frias, roteirista e produtor-executivo do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro produzida pela empresa de Karina.

Uma auditoria da Controladoria-Geral da União apontou que o instituto recebeu R$ 11 milhões do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria, o CN-Sesi. Segundo a CGU, ao menos R$ 2,4 milhões foram superfaturados em recursos destinados a sete estados e ao Distrito Federal. O período em que Dantas aparece como responsável pela tesouraria coincide com os anos analisados.

Desde 2014, 12 pessoas ocuparam funções como conselheiros fiscais, secretários e tesoureiros. Entre elas está Regina Ferreira da Gama de Nazaré, que foi vice-presidente do ICB entre setembro de 2014 e setembro de 2017, dividindo a direção com a filha.

Karina Pereira Penha confirmou que trabalhou no instituto, mas não respondeu sobre as divergências nas assinaturas nem sobre o período em que exerceu a função. Santanna disse ter ficado surpreso com as diferenças apontadas e afirmou não se lembrar de ter assinado atas ou documentos. O ICB e Karina Ferreira da Gama não responderam aos questionamentos.

Texto produzido pela Redação Rumo ao Destino com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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