Partículas orgânicas produzidas nas camadas iluminadas do oceano descem lentamente e sustentam animais que vivem em regiões sem luz suficiente para a fotossíntese. Esse material é conhecido como neve marinha, embora não seja uma substância única nem tenha composição fixa.
A mistura inclui células mortas, fragmentos de algas, muco, fezes de animais marinhos, resíduos microscópicos e outros detritos. A NOAA, órgão dos Estados Unidos dedicado à pesquisa oceânica, descreve o fenômeno como o desprendimento de matéria das águas superiores em direção às profundezas.
Como as partículas chegam ao fundo
As partículas podem se unir, ganhar peso e afundar mais rapidamente. Correntes também deslocam o material na horizontal, de modo que o ponto de produção não precisa ser o mesmo de deposição. O fluxo varia conforme a produção na superfície, a circulação da água e o consumo por organismos durante a descida.
Bactérias e pequenos animais aproveitam parte da matéria no trajeto. Uma parcela é decomposta e devolve nutrientes dissolvidos ao ambiente. Outra é capturada por animais da coluna d’água. O restante pode alcançar o sedimento, onde serve de alimento a espécies que recolhem ou filtram partículas, ou ficar enterrado e contribuir para o armazenamento de carbono por mais tempo.
Nem toda partícula produzida na superfície chega ao fundo. Parte é consumida na camada iluminada, enquanto outra é degradada em profundidades intermediárias. O tamanho dos agregados, a temperatura, a presença de organismos e a circulação alteram a quantidade que continua descendo.
Alimentação no mar sem luz
Esponjas e outros filtradores capturam partículas suspensas. Pepinos-do-mar e pequenos invertebrados procuram matéria orgânica depositada no sedimento. Esses animais podem servir de alimento para organismos maiores, formando várias etapas da cadeia alimentar em áreas onde não há plantas produzindo energia com luz.
As comunidades profundas não dependem todas do mesmo recurso. Há predadores, carniceiros e grupos associados a fontes hidrotermais, que aproveitam energia química de outra origem. Imagens submarinas podem mostrar partículas atravessando o feixe das câmeras, mas uma filmagem isolada não mede a quantidade de alimento que chega ao fundo.
Pesquisadores usam armadilhas de sedimento, imagens e análises químicas para estimar o fluxo. Cada método registra aspectos diferentes de um processo que varia conforme o local e a estação. Por isso, uma taxa observada em um ponto não representa todos os oceanos.
A neve marinha também pode transportar materiais que se juntam aos agregados, inclusive partículas introduzidas por atividades humanas. A matéria orgânica é frequentemente reciclada antes de se fixar no fundo, portanto o transporte de carbono não significa que todo o material ficará enterrado permanentemente.
A dinâmica conecta a superfície às profundezas. Mudanças na produção do fitoplâncton ou no deslocamento das correntes podem alterar a disponibilidade de alimento para os animais do mar profundo. O fluxo é contínuo, mas a maior parte dele não pode ser observada de um barco.







