Uma passagem fluvial com degraus de pedra substituiu a antiga estrutura de contenção no rio Narraguagus, em Cherryfield, no Maine. O projeto foi elaborado para permitir que os salmões do Atlântico alcancem áreas de reprodução e, ao mesmo tempo, mantenha a proteção contra o acúmulo de gelo no inverno.
A barreira havia sido construída em 1961 pelo Corpo de Engenheiros do Exército americano. Durante seis décadas, sua função foi reter blocos de gelo, mas a estrutura se tornou o último grande obstáculo no canal principal do rio, que percorre cerca de quarenta milhas.
Passagem para os peixes
A antiga represa tinha uma escada lateral, mas a maioria dos peixes não conseguia utilizá-la. Muitos salmões adultos ficavam desorientados na base de concreto e não venciam a correnteza. No rio Narraguagus, apenas cerca de vinte e cinco reprodutores selvagens retornavam anualmente.
A nova solução imita corredeiras naturais por meio de uma sequência de degraus de pedra. Entre eles, pequenas piscinas oferecem pontos de descanso para os peixes superarem a elevação. Com a retirada da barreira, o rio volta a conectar áreas de nascente ao oceano Atlântico.
A configuração também foi planejada para preservar a proteção contra o acúmulo de gelo e evitar inundações no perímetro urbano de Cherryfield. A intervenção recebeu aprovação unânime local e contou com a cooperação de organizações conservacionistas, entidades federais e moradores do município.
Recuperação da bacia
A reabertura permite o acesso a dezenas de quilômetros de águas frias e bem oxigenadas na direção das nascentes. Organizações locais prepararam esses trechos ao restaurar a vegetação ciliar e melhorar a qualidade térmica dos afluentes.
Além do salmão, a mudança beneficia espécies migratórias como savelhas e arenques fluviais. O projeto também prevê a revitalização das margens do rio e a transformação de espaços públicos para a comunidade ribeirinha.
A restauração foi viabilizada por autorização legislativa e financiamento governamental destinados à recuperação ambiental da bacia hidrográfica. Um vídeo do U.S. Fish & Wildlife Service, no YouTube, apresenta informações adicionais sobre a obra.







