Manaus, Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
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Vorcaro fez novo repasse de US$ 1,6 milhão para Dark Horse após cobrança de Flávio

Pagamento ocorreu em setembro de 2025, depois de o senador cobrar parcelas atrasadas da produção do filme.

Vorcaro fez mais um repasse de US$ 1,6 milhão para o filme Dark Horse após cobranças de Flávio Bolsonaro
Foto: Adriano Machado/Reuters e Reprodução

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro transferiu US$ 1,6 milhão para o filme Dark Horse em setembro de 2025, poucos dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato à Presidência, cobrar parcelas que estavam atrasadas.

A transferência foi divulgada nesta terça-feira (1º). A informação foi confirmada posteriormente.

O valor se soma a outros seis repasses — dois de US$ 2 milhões e quatro de US$ 1,6 milhão — feitos até maio de 2025. Essas operações já haviam sido divulgadas em maio deste ano e totalizavam R$ 61 milhões.

"Com esse novo pagamento, que até agora era desconhecido, o total enviado por Vorcaro para a cinebiografia de Bolsonaro passou de 10,6 para 12,3 milhões de dólares — o que, na cotação da época, equivalia a mais de 65 milhões de reais", afirma a publicação que revelou o novo repasse.

A informação consta em um dos inquéritos da Polícia Federal (PF) sobre o caso, detalhado mais adiante. O pagamento adicional foi localizado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Flávio afirmava que o último repasse de Vorcaro havia ocorrido em maio de 2025, versão que agora foi contrariada pela PF. "Olha só. O último pagamento que ele fez [...] foi em maio de 2025", declarou o senador em uma entrevista quando o caso veio a público.

Conforme as investigações, Vorcaro enviou os recursos para o filme por meio da Entre Investimentos e Participações, empresa pertencente a um aliado do ex-banqueiro. Depois, a Entre transferia o dinheiro para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, sob controle de um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O fundo faria o repasse à produtora Go Up.

Flávio também cobrou Vorcaro por meio de uma mensagem de áudio. No conteúdo, afirmou que preferia enviar a gravação para que o ex-banqueiro a escutasse com calma, mencionou o momento difícil enfrentado por ele e disse sentir constrangimento em continuar cobrando, apesar da autorização dada por Daniel para isso.

O repasse de setembro ocorreu oito dias depois de Flávio cobrar as parcelas em atraso. Pelo acordo original, os pagamentos poderiam chegar a R$ 134 milhões.

Valor pode ser maior

O montante transferido por Vorcaro para Dark Horse pode ter sido maior. A publicação que teve acesso às informações também encontrou um trecho inédito de uma conversa entre o ex-banqueiro e o publicitário Thiago Miranda, que participou da captação de recursos para a produção.

Em uma mensagem enviada ao banqueiro em 22 de outubro de 2025, Miranda perguntou se ele conseguiria liberar as parcelas do filme.

Vorcaro respondeu que sim e afirmou que havia liberado mais uma naquele dia.

Na sequência, Miranda disse que avisaria os responsáveis e acrescentou que Flávio havia informado que ligaria para Vorcaro.

A PF afirma que não há registro de outros repasses no informativo financeiro do Coaf. Essa ausência, entretanto, não elimina a possibilidade de a transferência ter sido realizada em 22 de outubro e de ainda não ter sido comunicada ao órgão de fiscalização.

"Se esse outro pagamento de 1,6 milhão de dólares foi efetivamente realizado como afirmou o banqueiro, o total desembolsado por ele vai para 14 milhões de dólares, ou 72 milhões de reais", afirma a publicação.

Ao chegar ao Senado nesta terça-feira (1º), Flávio foi questionado por jornalistas sobre o novo repasse. O senador respondeu que a questão deveria ser esclarecida pela produtora do filme. Ele afirmou não ter como saber os detalhes porque não trata do assunto e orientou que a pergunta fosse feita à produtora.

O financiamento do filme sobre Bolsonaro é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).

O primeiro, relatado pelo ministro André Mendonça, examina os repasses realizados por Vorcaro: as circunstâncias das operações, a origem do dinheiro, o valor exato e o destino final dos recursos. Os investigadores suspeitam que uma parte do dinheiro não tenha sido aplicada no filme.

O segundo inquérito, sob relatoria do ministro Flávio Dino, apura se a produtora Go Up utilizou emendas parlamentares para financiar a produção.

Também existe uma investigação em São Paulo, conduzida pela Polícia Civil, sobre um contrato de mais de R$ 150 milhões firmado entre a Go Up e a prefeitura para instalar pontos de wi-fi em bairros da periferia. O acordo não foi cumprido completamente, e há suspeitas de que parte dos recursos tenha sido desviada.

Texto produzido pela Redação Rumo ao Destino com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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