Dois parques de Goiás protegem mais de trezentos e oitenta mil hectares de um dos biomas tropicais mais antigos e diversos do mundo. A área foi reconhecida pela Unesco como patrimônio mundial natural em dois mil e um e reúne formações rochosas, nascentes, cachoeiras e chapadões.
A variação de altitude cria microclimas e contribui para a formação de bacias hidrográficas importantes para o planalto central brasileiro. Cânions, vales profundos, paredões e escarpamentos compõem a paisagem, enquanto áreas de planura abrigam vegetação nativa e comunidades de animais.
Refúgio para espécies do cerrado
A posição geográfica central e o relevo complexo ajudaram a preservar espécies durante períodos de mudanças ambientais severas. Ao longo de milênios, os parques funcionaram como refúgios naturais para organismos que enfrentaram alterações de temperatura e umidade em outras áreas.
Entre os animais citados estão o lobo-guará, o tamanduá, a onça-pintada e o veado-campeiro. O território também abriga dezenas de aves raras associadas ao cerrado preservado. A extensão das áreas protegidas favorece a reprodução de grandes mamíferos e reduz a dependência de populações isoladas em áreas sem proteção.
Visitação e conservação
A Chapada dos Veadeiros atrai visitantes pelas cachoeiras, piscinas naturais, cânions, mirantes e trilhas entre formações rochosas. Também são procuradas atividades de observação de aves e contemplação da flora nativa nos chapadões.
A gestão do ICMBio estabelece normas para organizar a visitação e evitar danos aos solos e às nascentes. O objetivo é conciliar o turismo ecológico com a proteção de espécies botânicas e dos ambientes naturais.
O avanço de monoculturas no entorno reforça a importância da manutenção dos limites das unidades. A proteção de nascentes e corredores ecológicos, aliada à fiscalização e à pesquisa científica, mantém as áreas como referências para ações de preservação e recuperação ambiental regional.







