O peixe-arqueiro captura insetos que estão fora da água ao disparar jatos pela boca. O comportamento ocorre em rios, manguezais e estuários do sul e sudeste da Ásia. Depois que a presa perde o apoio e cai, o animal acelera até a superfície para capturá-la.
A técnica depende da formação de um canal estreito na boca e do uso da língua para forçar a água para fora em alta velocidade. Assim, o peixe produz um jato direcionado, capaz de alcançar insetos pousados em folhas, galhos e outras superfícies acima da linha d’água.
Mira e refração
Para acertar o alvo, o peixe-arqueiro precisa localizar a presa, calcular a direção e escolher o momento do disparo. A tarefa é dificultada pela refração, fenômeno em que a luz muda de direção ao passar do ar para a água. Por isso, o inseto observado debaixo da superfície não aparenta estar exatamente no local em que se encontra.
O animal precisa estimar a posição real da presa, corrigir a distorção visual, ajustar o ângulo do corpo e controlar a força do jato. Também deve reagir rapidamente quando o inseto começa a cair.
O disparo pode ser ajustado conforme a distância e o tamanho do alvo. O fluxo de água não é apenas uma expulsão uniforme: a parte final pode alcançar a presa com maior impacto, aumentando a chance de desalojar pequenos insetos presos a folhas ou galhos.
Aprendizado e captura
A habilidade tem uma base natural, mas a experiência melhora o desempenho. Peixes mais treinados conseguem ajustar melhor a mira e responder a diferentes posições e movimentos das presas. Experimentos também indicaram capacidade de aprendizado visual, com reconhecimento de padrões e adaptação a tarefas novas.
A caça segue uma sequência rápida: o peixe identifica o inseto, posiciona-se sob o alvo, dispara o jato, espera a queda e avança até a superfície. A competição pode ser intensa quando vários peixes aguardam o mesmo alimento.
A distância alcançada varia conforme a espécie, o tamanho do animal e as condições do ambiente. O peixe-arqueiro pode atingir presas localizadas dezenas de centímetros acima da superfície e, em determinadas condições, alvos ainda mais distantes. Com o aumento da distância, pequenos erros de ângulo se tornam mais relevantes, enquanto o jato perde energia e a correção visual exige maior precisão.
Ao explorar insetos acima da água, o peixe acessa uma fonte de alimento que outros peixes não alcançam da mesma forma. Folhas e galhos próximos à margem passam a integrar sua área de caça, sem que ele precise saltar ou esperar que a presa caia por acaso.







