Groenlândia e Antártida perderam juntas aproximadamente 11,3 trilhões de toneladas métricas de gelo entre 1979 e 2023, segundo um levantamento baseado em décadas de observações por satélite. A perda elevou em cerca de 3,1 centímetros o nível médio global do mar.
O estudo foi publicado em setembro de 2026 na revista científica Scientific Data. Os pesquisadores reuniram 42 estimativas independentes de balanço de massa, baseadas em alterações na velocidade do gelo, no volume das camadas e na atração gravitacional exercida por elas. Ao todo, foram utilizados dados de 27 missões de satélite.
As séries históricas acompanham a Groenlândia desde 1972 e a Antártida desde 1979. Para comparar as duas regiões, os pesquisadores adotaram o período comum iniciado em 1979. Embora o resultado seja resumido como uma perda em “47 anos”, os dados combinados terminam em 2023.
Perdas na Groenlândia e na Antártida
Entre 1979 e 2023, a perda conjunta foi estimada em 11.309 bilhões de toneladas métricas. No sistema de medidas dos Estados Unidos, esse volume corresponde a cerca de 12,5 trilhões de toneladas. Convertido em água, representa quase 11,3 quatrilhões de litros adicionados aos oceanos.
A Groenlândia perdeu aproximadamente 6,2 trilhões de toneladas métricas entre 1972 e 2023. A taxa média anual passou de cerca de 60 bilhões de toneladas nos anos 1980 para aproximadamente 192 bilhões nos anos 2000 e 264 bilhões na década de 2010. Cerca de dois terços da perda foram associados ao aumento da descarga de gelo no oceano.
A Antártida perdeu aproximadamente 4,78 trilhões de toneladas métricas entre 1979 e 2023. Essa perda contribuiu sozinha para uma elevação de aproximadamente 13,3 milímetros no nível médio dos oceanos. A Antártida Ocidental continuou registrando perdas, enquanto a Antártida Oriental recebeu quantidades excepcionalmente elevadas de neve em 2022 e 2023, compensando temporariamente parte do recuo em outras áreas.
Dinâmica do gelo e nível do mar
Aproximadamente 84% da perda combinada ocorreu por desequilíbrio dinâmico. Nesse processo, as geleiras descarregam gelo no oceano mais rapidamente do que conseguem repor. A parcela restante foi atribuída ao desequilíbrio da massa superficial.
Águas oceânicas mais quentes podem alcançar as bordas e as partes inferiores das geleiras, favorecer o recuo e aumentar o fluxo de gelo para o mar. Por isso, a perda não ocorreu apenas pelo derretimento da superfície.
Os dados registraram uma redução temporária na taxa de perda entre 2020 e 2023. Na Groenlândia, não houve eventos extremos de derretimento superficial comparáveis aos da década anterior. Na Antártida, a neve acumulada no leste compensou parte das perdas no oeste. Os autores consideram essa mudança uma variação de curto prazo dentro de uma tendência mais longa, marcada pela aceleração das perdas desde as décadas de 1990 e 2000.
A combinação das observações de satélite permitiu acompanhar a mudança no ritmo da perda ao longo de quase meio século. Esse histórico é usado para melhorar as projeções sobre o nível do mar e acompanhar a quantidade de gelo que Groenlândia e Antártida deixam de reter e enviam aos oceanos.







