Manaus, Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
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PF aponta busca por influenciadores para defender o Banco Master

Documentos e depoimentos indicam propostas a perfis de direita para questionar a liquidação do banco pelo Banco Central.

Agência encontrou nas redes de Flávio influenciador para defender o Master
Foto: Daniel Ramalho/AFP;Divulgação

Documentos da investigação da Polícia Federal indicam que uma agência monitorou as redes sociais de Flávio Bolsonaro para localizar influenciadores de direita dispostos a defender o Banco Master. A estratégia previa questionar a liquidação da instituição pelo Banco Central e defender uma intervenção do Tribunal de Contas da União (TCU).

A abordagem aparece em mensagens registradas em ata notarial e no depoimento de Rony de Assis Gabriel, vereador de Erechim (RS), candidato a deputado federal pelo Podemos e influenciador de direita. A empresa identificada no acordo de confidencialidade enviado ao assessor do vereador é a UNLTD Network Brazil Ltda. O documento batizou a iniciativa de Projeto DV.

André Silva Salvador assinou o acordo em nome da agência. Em 20 de dezembro de 2025, ele afirmou que havia localizado o perfil de Rony durante um monitoramento das redes de Flávio Bolsonaro. Depois, apresentou a proposta como um trabalho de gerenciamento de reputação e gestão de crise para um executivo.

Segundo o depoimento de Rony à PF, Salvador informou em uma reunião que o cliente seria Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. O assessor do vereador assinou o acordo de confidencialidade, mas Rony recusou a proposta antes de negociar valores ou firmar contrato.

O vereador afirmou ter mais de dois milhões de seguidores no Instagram e aproximadamente 100 milhões de visualizações mensais em conteúdos políticos. Ele disse à PF que costuma comentar nas redes de Flávio, o que poderia explicar a localização de seu perfil. O acordo previa multa de R$ 800 mil, enquanto a remuneração mencionada verbalmente não chegou a ser definida.

Na reunião, foram apresentados conteúdos de Paulo Cardoso, do Cardoso Mundo; Marcelo Rennó; André Janeiro Dias; Carol Dias; e da página Alfinetei como referências para o trabalho. Rony relatou que poderia adaptar o roteiro ao próprio estilo. Ele procurou as autoridades depois de acompanhar notícias sobre movimentações no TCU relacionadas ao caso.

Outra proposta investigada

A jornalista e influenciadora Juliana Moreira Leite também relatou à PF ter recebido uma oferta de contrato por três meses. O contato foi feito por Júnior Favoreto pelo Instagram e pelo WhatsApp. Segundo Juliana, o interlocutor disse que ela poderia estabelecer o preço, exigiu um acordo de confidencialidade e encaminhou conteúdo que colocava em dúvida a decisão do Banco Central.

Quando questionado sobre o cliente e o material, Favoreto enviou uma publicação sobre a atuação do BC na liquidação do banco e pediu o media kit e os valores cobrados pela jornalista. Juliana informou que não estava disponível para publicar sobre o Master. A conversa terminou sem que o cliente fosse identificado, e ela disse à PF não poder atribuir a proposta a uma pessoa ou empresa específica.

Juliana também afirmou ter percebido publicações semelhantes feitas por outros influenciadores de direita no mesmo período.

Perfis mapeados pela Polícia Federal

Um relatório da PF identificou 22 perfis do Instagram com publicações próximas no tempo e questionamentos semelhantes sobre a atuação do Banco Central no caso. A lista reúne Alfinetei, Marcelo Rennó, Paulo Cardoso, Carol Dias, André Janeiro Dias, Garoto do Blog, Luiz Bacci, Rainha Matos, Exclusivas da Fama, Futrikei, Fofocas, Fofoquei, Wes Gossip, Vem Me Buscar Hebe, Bomba dos Artistas, Tricotei, Alfinetada, Focalizando Notícias, Tuitteiros, Queirônica, Alfinetada Online e Diferentona.

A PF associou parte dos perfis a grupos de mídia digital. Exclusivas da Fama, Rainha Matos, Fofocas, Fofoquei, Wes Gossip, Vem Me Buscar Hebe, Tuitteiros e Diferentona foram relacionados à Deubuzz. Futrikei, Tricotei, Alfinetada e Diferentona foram vinculados ao Grupo Farol, com Diferentona aparecendo nas duas relações.

O levantamento registra a proximidade e a semelhança das publicações, mas não comprova que todos os perfis tenham sido abordados, contratados ou pagos por uma agência.

Texto produzido pela Redação Rumo ao Destino com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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