XANGAI — Um projeto desenvolvido em um campus universitário transformou garrafas plásticas de leite descartadas em parte de uma estrada. A iniciativa, criada na China com cooperação entre centros acadêmicos e a indústria, incorporou os resíduos à pavimentação e deu origem à chamada Milk Bottle Road.
As embalagens de laticínios são consideradas difíceis de reciclar porque resíduos orgânicos podem permanecer aderidos às paredes internas dos recipientes. A higienização encarece o processamento, e muitos centros de triagem recusam esse tipo de material. Sem alternativas para tratar as garrafas em grande escala, parte do plástico é encaminhada a aterros sanitários.
Como o plástico é incorporado ao asfalto
O processo começa com a coleta e a seleção das embalagens. Depois, o material passa por trituração mecânica até virar partículas homogêneas. Os polímeros recebem compostos estabilizadores e são incorporados à massa asfáltica quente.
A tecnologia ELVALOY RET integra as partículas plásticas ao asfalto tradicional. De acordo com a descrição do projeto, essa combinação forma um pavimento coeso, com menor risco de fissuras prematuras. As etapas incluem ainda a fusão do plástico em grânulos de alta densidade e a aplicação da mistura na pista.
A substituição de parte do betume convencional por plástico recuperado reduz a necessidade de derivados de petróleo e as emissões gasosas. A proposta também diminui o volume de resíduos destinado a aterros e rios, além de fortalecer a economia circular.
Na estrutura da via, a presença dos polímeros aumenta a tolerância ao tráfego pesado e a estabilidade térmica contra deformações sazonais. O projeto associa esses efeitos à ampliação dos intervalos entre reparos, à redução dos custos de conservação e ao menor uso de recursos fósseis.
A experiência é apresentada como referência para gestores que buscam reaproveitar embalagens de difícil reciclagem em obras públicas. A expansão desse tipo de prática pode combinar o tratamento de resíduos com a construção de vias, desde que haja cooperação entre governos, centros acadêmicos e indústria.







