A União Europeia prorrogou nesta terça-feira 22 as sanções contra a Rússia, mas retirou da lista restritiva os empresários Alisher Usmanov e Mikhail Fridman. As medidas atingem cerca de 3.000 indivíduos e entidades acusados de apoiar a guerra russa contra a Ucrânia.
A decisão foi tomada após exigências da França e de Luxemburgo. A Letônia se absteve na votação, permitindo o acordo, embora tenha se oposto à retirada dos dois nomes. O objetivo do bloco é estender por três anos as sanções vinculadas à guerra na Ucrânia.
Usmanov, que também tem nacionalidade uzbeque, atua no setor de metais. Fridman é empresário do setor bancário. Os dois foram incluídos na lista pouco depois da invasão russa da Ucrânia em 2022. Segundo a União Europeia, as empresas dos dois proporcionam receitas importantes ao Kremlin.
Reação da Ucrânia
A Ucrânia classificou as isenções como “vergonhosa” e “injustificada” e pediu que os países do bloco imponham sanções nacionais contra os empresários. O ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sibiga, afirmou que a retirada dos nomes representa um sentimento de impunidade e uma divisão entre os europeus.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, também criticou a decisão e a chamou de concessão ao Kremlin. Em Nova York, durante reuniões da Assembleia Geral da ONU, ele disse que os sinais sobre a suspensão das sanções são autodestrutivos e contraproducentes enquanto a Rússia realiza ataques contra a Ucrânia.
Zelensky agradeceu à Letônia por manter a frente jurídica contra a guerra. O primeiro-ministro letão, Andris Kulbergs, afirmou que a escolha ocorreu entre uma alternativa ruim e outra muito pior. Após o acordo, ele disse que a França aceitou iniciar diálogos sobre a extensão de sua dissuasão nuclear à Letônia e sobre o aumento da presença de sua força aérea no país báltico.
Exigências de França e Luxemburgo
O governo francês justificou oficialmente a suspensão das sanções contra Usmanov por motivos de segurança nacional. O pedido também estaria ligado a um possível acordo para libertar cidadãos franceses detidos no Azerbaijão.
Luxemburgo defendeu a retirada de Fridman. O empresário reivindica 15 bilhões de euros do país por ter tido ativos congelados com base nas sanções da União Europeia. As autoridades luxemburguesas temem que a permanência de Fridman na lista, caso apenas Usmanov fosse excluído, fortalecesse os argumentos jurídicos do empresário na disputa.
A Rússia pediu o fim das sanções contra todos os empresários e cidadãos russos. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que as medidas devem ser retiradas contra Usmanov, Fridman e os demais russos.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, havia defendido a manutenção das sanções como parte central da resposta à guerra e como instrumento para impedir o financiamento do conflito. A lista da União Europeia também inclui o presidente russo, Vladimir Putin, e o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov.







