A dinâmica entre cheias e secas mantém o funcionamento dos ecossistemas do Complexo de Áreas Protegidas do Pantanal. Durante o período chuvoso, os rios transbordam, cobrem as planícies e formam lagos temporários. Quando as águas recuam, lagoas remanescentes concentram animais aquáticos e favorecem o crescimento de pastagens no lodo fértil.
Reconhecido no ano 2000 como Patrimônio Mundial Natural pela UNESCO, o território reúne mais de cento e oitenta e sete mil hectares protegidos, área equivalente a aproximadamente um vírgula três por cento do Pantanal brasileiro.
Um sistema ligado aos rios
O complexo é formado pelo Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e pelas reservas de Acurizal, Penha e Dorochê. As quatro unidades de conservação são contíguas e protegem ecossistemas aquáticos, matas ciliares, corixos e outros habitats sensíveis.
As bacias dos rios Cuiabá e Paraguai conduzem as águas pela região. Como o relevo tem declividade suave, o escoamento ocorre lentamente, mantendo a umidade nas áreas alagadas por longos períodos. Na borda ocidental, a Serra do Amolar funciona como uma barreira física. Suas encostas servem de abrigo durante as inundações e preservam tipos raros de vegetação.
Refúgio para animais
A alternância hidrológica cria condições para a reprodução de peixes nas áreas inundadas. Na estação seca, as lagoas atraem aves e répteis, enquanto a vegetação que cresce nas áreas úmidas oferece alimento para mamíferos.
Entre as espécies protegidas estão onças-pintadas, ariranhas, araras-azuis e cervos-pantaneiros. As onças ocupam o topo da cadeia alimentar nas matas ciliares; as ariranhas vivem em rios e corixos; as araras utilizam capões florestais e palmeirais; e os cervos se deslocam pelos campos alagados.
Turismo e pesquisa
A conservação da área atrai viajantes e pesquisadores interessados em expedições pela natureza. O ecoturismo responsável gera valor econômico local e incentiva a proteção da paisagem.
O monitoramento ambiental também fornece informações para planos de manejo. As pesquisas desenvolvidas nas unidades ampliam o conhecimento biológico aplicado à conservação dos ecossistemas do Pantanal.







