Os medicamentos à base de GLP-1 podem ser seguidos por novas categorias capazes de impulsionar o varejo farmacêutico, segundo análise do BTG Pactual. O banco considera que o sucesso desses produtos resultou da combinação entre público potencial amplo, tratamento crônico, preços elevados, novas indicações e distribuição em farmácias.
A obesidade aparece como principal aposta, em uma fase chamada pelo banco de “Obesidade 2.0”. A próxima etapa seria marcada por medicamentos orais, terapias combinadas, maior eficácia e intervalos mais longos entre as doses. A versão oral do Wegovy, da Novo Nordisk, já representa cerca de um terço das prescrições para obesidade nos EUA e gerou US$ 843 milhões no primeiro semestre de 2026.
O BTG avalia que a categoria de obesidade pode representar uma oportunidade de US$ 100 bilhões a US$ 150 bilhões até 2030. A análise também considera que preços menores, comprimidos e novas indicações podem ampliar o mercado, mesmo com a redução dos preços da semaglutida.
Outras categorias avaliadas
A medicina cardiovascular é outra candidata a ganhar espaço. O banco cita o Lipfendra, da Merck, aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) em julho deste ano, e o Baxfendy, da AstraZeneca, autorizado pela agência em maio. Os analistas afirmam que uma penetração modesta em populações amplas poderia criar categorias bilionárias. Cerca de 1,4 bilhão de pessoas vivem com hipertensão no mundo.
Imunologia e doenças respiratórias também estão entre as áreas acompanhadas. O Exdensur, da GSK, foi aprovado nos EUA no fim de 2025 para asma grave. A empresa estima que cerca de 2 milhões de americanos tenham a doença. Em 2025, a GSK gerou £ 3,8 bilhões com medicamentos para doenças respiratórias, imunologia e inflamação.
O relatório ainda cita Alzheimer, oncologia, vacinas e serviços de saúde prestados em farmácias. Mais de 6,5 milhões de pessoas têm Alzheimer apenas nos EUA, enquanto os gastos globais com oncologia podem chegar a cerca de US$ 440 bilhões até 2028, impulsionados por aproximadamente cem novos medicamentos.
Critérios para o varejo farmacêutico
O BTG ressalta que muitos medicamentos de maior potencial serão administrados em hospitais ou clínicas especializadas, sem gerar o mesmo efeito no varejo que os GLP-1. Por isso, o banco recomenda observar o tamanho do mercado, a necessidade de tratamento crônico ou recorrente e a possibilidade de distribuição ou administração em farmácias.
Nesse cenário, medicamentos orais para obesidade e hipertensão aparecem como categorias de massa. Vacinas e medicamentos biológicos de autoadministração são apontados como oportunidades para serviços farmacêuticos. Já os tratamentos orais para Alzheimer e oncologia são vistos como opções estratégicas de longo prazo para farmácias especializadas.








