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Canetas de semaglutida no SUS ainda dependem de análise, orçamento e compra pública

Anúncio de Lula não definiu público, prazo nem fonte de recursos para oferecer os medicamentos na rede pública.

Canetas de semaglutida no SUS ainda dependem de análise, orçamento e compra pública

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em 17 de setembro, que canetas emagrecedoras à base de semaglutida estarão disponíveis em breve no Sistema Único de Saúde (SUS). O governo federal, porém, ainda não informou quem poderá receber os medicamentos, quando eles chegarão à rede pública ou como será financiada a compra.

A incorporação teria impacto orçamentário de pelo menos R$ 2,6 bilhões no próximo mandato, considerando quatro anos de gestão. O anúncio foi feito durante uma visita de Lula à fábrica da Eurofarma, em Minas Gerais.

Empresas acompanham possível incorporação

A Eurofarma participa indiretamente do mercado de medicamentos análogos ao GLP-1 por comercializar o Poviztra, fabricado pela Novo Nordisk. A companhia dinamarquesa também produz o Ozempic e o Wegov.

Outras farmacêuticas passaram a disputar esse mercado no Brasil. A EMS lançou a Ozivy em junho, depois do fim da patente do Ozempic, em março. A Hypera Pharma colocou a Semavy no mercado sob a marca Mantecorp, enquanto a Sandoz prevê iniciar em outubro a distribuição da Owozy.

A CEO da Sandoz, Isabella Wanderley, defendeu a discussão sobre uma possível incorporação pelo governo, inicialmente para um público específico. Para ela, uma combinação entre modelo de acesso e preço poderia criar uma oportunidade no mercado público.

O Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027, enviado ao Congresso no fim de agosto, não traz uma previsão específica para a compra das canetas. O governo pode remanejar recursos dentro do orçamento da saúde, mas o Ministério da Saúde ainda não informou quanto pretende gastar nem qual programa financiaria a medida.

Pedido atual tem alcance restrito

A Conitec rejeitou, em agosto de 2025, a primeira solicitação da Novo Nordisk para incorporar o Wegovy ao SUS. A avaliação estimou custo entre R$ 6,5 bilhões e R$ 7 bilhões em cinco anos, principalmente pelo impacto de um tratamento de longo prazo nas contas públicas.

A proposta recebeu 1,3 mil manifestações em consulta pública e previa aproximadamente 150 mil pacientes elegíveis. No novo pedido, protocolado em maio, a empresa reduziu o público-alvo para cerca de 38 mil pessoas e informou desconto de 59% em relação à proposta anterior.

Considerando o custo de aproximadamente R$ 12 mil por paciente ao ano, a despesa direta ficaria próxima de R$ 456 milhões anuais. Fontes do setor estimam que a conta poderia chegar a R$ 650 milhões por ano, dependendo do desenho da política, da adesão ao tratamento e dos custos de operação. Em quatro anos, essa projeção alcança R$ 2,6 bilhões.

O pedido apresentado pela Novo Nordisk é destinado a um grupo restrito de pacientes com perfil clínico específico. Por isso, não equivale automaticamente a uma política pública ampla de combate à obesidade anunciada pelo presidente.

Etapas podem levar até 15 meses

Ainda não há registro de consulta pública aberta pela Conitec para analisar o novo pedido. A comissão tem prazo de 180 dias, prorrogável por mais 90, para concluir a avaliação. No cenário de prazo máximo, uma decisão poderia ocorrer no início de 2027.

Mesmo uma decisão favorável não levaria à distribuição imediata. Após a publicação da portaria de incorporação, o SUS tem, em regra, até 180 dias para disponibilizar a tecnologia. Nesse período, seria necessário definir o protocolo clínico, identificar os pacientes elegíveis, distribuir responsabilidades entre União, estados e municípios e realizar a compra.

Sem atrasos ou questionamentos jurídicos, a oferta poderia começar apenas no segundo semestre de 2027. Essa é uma projeção, não um calendário anunciado pelo governo. Fontes do setor de saúde estimam que todas as etapas podem levar de 12 a 15 meses.

A eventual incorporação da semaglutida também não incluiria automaticamente todas as canetas disponíveis no mercado. Os produtos precisariam ter registro sanitário, indicação compatível e atender às condições de um edital. O Mounjaro, da Eli Lilly, ficaria fora desse processo por usar tirzepatida como princípio ativo.

Tratamento exige definição logística

As canetas dependem de prescrição, acompanhamento médico, controle de efeitos adversos e condições adequadas de armazenamento. O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou que o anúncio ocorreu sem definição de prazo, público-alvo e fonte de recursos. Ele também questionou como seriam feitas a aplicação, a entrega e a conservação dos produtos nos postos de saúde.

Mandetta disse defender a incorporação desde que acompanhada de critérios clínicos e planejamento financeiro. A próxima reunião da Conitec está marcada para 7 de outubro, mas a pauta ainda não foi divulgada. Em nenhum dos encontros de 2026 realizados até o momento o novo pedido de incorporação da semaglutida foi deliberado.

A Novo Nordisk não informou detalhes da proposta enviada ao governo. O Ministério da Saúde também não respondeu quando pretende realizar a consulta pública, qual público seria atendido, quanto a incorporação custaria ou quando as canetas poderiam começar a ser oferecidas pelo SUS.

Texto produzido pela Redação Rumo ao Destino com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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