A Dasa criou uma frente dedicada à obesidade e às condições cardiometabólicas para oferecer exames a pessoas que usam canetas emagrecedoras e a pacientes que ainda não começaram o tratamento. A companhia reúne análises laboratoriais, exames de imagem e testes genômicos em pacotes específicos.
A iniciativa mira um mercado estimado em 6 milhões de usuários de medicamentos desse tipo no Brasil. A Dasa também considera o potencial de crescimento com a entrada de novos fabricantes e a redução de preços após o fim da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic.
“Hoje, a Dasa realiza mais de 450 milhões de exames por ano”, afirma Rafael Lucchesi, CEO da Dasa. Segundo ele, a escala da companhia permitiu reunir análises clínicas, imagem e genômica em uma frente voltada à obesidade, ao diabetes e às doenças cardiovasculares.
Pacotes e preços
O chamado pacote GLP-1 inclui avaliações do fígado, colesterol, glicemia e composição corporal, além de densitometria óssea e testes genéticos relacionados à obesidade. Os serviços são oferecidos nas marcas Delboni, Lavoisier e Alta Diagnósticos.
Os preços começam em aproximadamente R$ 200 e podem ultrapassar R$ 2 mil, conforme a quantidade e a complexidade dos exames. A maior parte dos pacotes é formada por exames de sangue e está disponível apenas para compra particular. A Dasa informa que, por enquanto, não há previsão de inclusão desses serviços pelas operadoras de saúde.
Parte dos exames já integrava o portfólio da empresa. A mudança foi organizar os procedimentos em jornadas de acompanhamento voltadas à obesidade, ao diabetes e às doenças cardiovasculares. Alguns produtos, como o check-up peso e metabolismo saudável, começaram a ser vendidos em junho.
A Dasa atende 44 milhões de pacientes por ano e pretende conectar exames laboratoriais, diagnósticos por imagem, avaliações de composição corporal e genômica. A companhia também mantém uma área de pesquisa e desenvolvimento. Nos últimos 12 meses, lançou cerca de 100 produtos em diferentes especialidades.
Mercado em expansão
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou em 2026 novas canetas para diabetes e obesidade. Em julho, registrou cinco novas marcas de semaglutida. Em setembro, autorizou versões genéricas produzidas pela EMS, que lançou o Ozivy, apresentado como o primeiro medicamento nacional do segmento.
O Itaú BBA estima que o mercado brasileiro de medicamentos contra a obesidade alcance R$ 50 bilhões em 2030, com aproximadamente 15 milhões de usuários. As vendas em farmácias devem chegar a R$ 18 bilhões neste ano.
A expansão dos análogos de GLP-1 também estimulou iniciativas em outros laboratórios. O Sabin oferece uma categoria chamada Monitoramento de Emagrecimento e o Perfil Genético GLP-1 em sua loja virtual.
A demanda potencial inclui pessoas que não usam medicamentos. Dados do Ministério da Saúde mostram que a obesidade entre adultos brasileiros aumentou 118% entre 2006 e 2024. As vendas de medicamentos para controle de peso cresceram quase 80% entre 2021 e 2025.
A Dasa pretende apresentar os pacotes a médicos e ampliar a inclusão dos exames no acompanhamento dos pacientes. De acordo com Leonardo Vedolin, vice-presidente médico da companhia, a frente foi criada a partir de dúvidas de médicos e pacientes sobre quais análises deveriam ser feitas antes e durante o tratamento.
A empresa ainda não divulga receita ou volume de exames da nova área. A companhia afirma que a demanda mensal cresce em dois dígitos e que, em algumas modalidades, os pedidos dobraram. Aproximadamente 35% dos produtos mapeados pela pesquisa e desenvolvimento se transformam em lançamentos.
Novos serviços estão em desenvolvimento e devem chegar ao mercado ainda em 2026. A Dasa trabalha com prazo mínimo de um ano para avaliar a maturação da frente. No curto prazo, a participação na receita deve ficar em um dígito baixo, sem meta pública definida.
Resultados da companhia
A nova frente foi criada enquanto a área de diagnósticos aumenta sua participação nos resultados da Dasa. No segundo trimestre, a empresa registrou receita bruta de R$ 2,4 bilhões, queda de 10% na comparação com o mesmo período de 2025. A unidade de diagnósticos avançou 9%.
O Ebitda consolidado foi de R$ 446 milhões, alta de 53% em relação ao ano anterior. A companhia opera em 14 estados e reúne 40 marcas de laboratórios e centros médicos.
Em 2026, as ações DASA3 acumulam baixa de 35,9% na B3. No período de 12 meses, os papéis registram alta de 111%. A empresa está avaliada em aproximadamente R$ 3,6 bilhões.








