SÃO PAULO — O Mercado Livre vai iniciar a venda de medicamentos com prescrição em sua plataforma e abrir espaço para lojas virtuais de redes de farmácias. A operação começará em São Paulo e na região metropolitana, com expansão gradual para outras praças.
A empresa não informou quais são as três redes que devem inaugurar suas lojas no marketplace em outubro. A projeção é conectar pelo menos 20 bandeiras do setor até o fim do ano. Entre os produtos previstos estão antibióticos e canetas emagrecedoras.
A receita será encaminhada a um farmacêutico do próprio Mercado Livre, responsável pelas conferências. Depois dessa etapa, o pedido seguirá para a área de logística e será entregue na casa do consumidor.
A entrada no segmento começou em setembro de 2025, quando a companhia comprou uma pequena farmácia em São Paulo e passou a oferecer medicamentos sem receita. Fernando Yunes, vice-presidente executivo de commerce na América Latina e head da operação brasileira, disse que a procura registrada durante o período de testes motivou a ampliação.
“Esse um ano de piloto de farma foi surpreendente, tanto nas compras como na busca por produtos”, afirmou Yunes em 24 de setembro. Segundo ele, a conversão dos medicamentos é maior que a de outros itens vendidos na plataforma.
Farmácias e mercado financeiro
Yunes afirmou que a estratégia é permitir que as redes vendam diretamente pelo Mercado Livre, em vez de disputar com elas. Ele comparou o modelo às parcerias com Casas Bahia e Magazine Luiza, que passaram a comercializar produtos na plataforma.
As ações de redes de farmácias fecharam o pregão em queda. Pague Menos recuou 8%, enquanto RD Saúde e Panvel caíram 5,38% e 4,90%, respectivamente. Os papéis do Mercado Livre, listados na Nasdaq, tiveram baixa de 2,51%, levando a empresa a uma avaliação de US$ 88,9 bilhões. No aftermarket, a queda era de 0,14%.
A companhia também afirmou que sua interpretação das regras recentes e de posicionamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária dá suporte à venda de medicamentos com prescrição em plataformas online.
Entregas e tecnologia
O Mercado Livre testa entregas em até 60 minutos em alguns bairros de São Paulo. Medicamentos com e sem receita estarão entre as categorias atendidas, tanto pela operação própria quanto pelas farmácias conectadas ao marketplace.
Na logística, a empresa ocupa 3,3 milhões de metros quadrados e anunciou a abertura de 20 grandes centros até o fim de 2026. Com isso, deverá encerrar o ano com 72 estruturas, incluindo operações de fulfillment, cross-docking e receiving centers.
Em 2025, o grupo investiu US$ 2,3 bilhões em tecnologia. A empresa tem mais de 20 mil desenvolvedores na América Latina, e parte do investimento foi destinada à inteligência artificial. Mais de 30 mil pequenas e médias empresas usam o assistente de vendas, enquanto mais de 10 mil sellers recebem semanalmente sugestões para melhorar campanhas; 30% aceitam as propostas.
As iniciativas fazem parte do plano de investimentos de R$ 57 bilhões no Brasil em 2026. Em 2018, o aporte foi de R$ 1 bilhão. Yunes afirmou ainda que o GMV da empresa cresceu dez vezes nos últimos 10 anos e que o TPV do Mercado Pago passou de R$ 6 bilhões para R$ 340 bilhões. A companhia estima que a penetração do comércio eletrônico no Brasil esteja entre 17% e 18%.







