A fusão entre Afya e Yduqs formará uma empresa de educação superior com receita combinada de R$ 9,4 bilhões e quase 1 milhão de alunos de graduação. A companhia terá 176 campi distribuídos pelos 26 estados, incluindo 51 unidades voltadas à medicina.
A nova empresa oferecerá 5,8 mil vagas anuais em medicina. Considerando o período anualizado a partir do segundo trimestre, a receita líquida chegará a R$ 9,4 bilhões. As sinergias estimadas podem alcançar R$ 2,2 bilhões, com 80% capturados nos primeiros três anos.
“Esse movimento é algo que a Yduqs sempre buscou, que é a consolidação do mercado, com um parceiro perfeito”, afirmou Rossano Marques, CEO da Yduqs, em conversa com investidores e analistas na manhã desta quinta-feira, 24 de setembro.
Reação dos investidores
A empresa combinada será listada na B3, enquanto a Afya deixará a Nasdaq. A Afya tem valor de mercado de US$ 1,2 bilhão (R$ 6,2 bilhões), e a Yduqs, de R$ 3 bilhões. Com a fusão, o valor de mercado do grupo ultrapassará R$ 9 bilhões.
No início do pregão, as ações da Yduqs subiam pouco mais de 1%, por volta de 11h45. Os papéis da Afya caiam quase 1% no mesmo horário.
Analistas do Itaú BBA avaliaram que a combinação cria uma líder da educação no Brasil, com potencial de valorização associado ao ganho de escala e à complementaridade entre as operações. O banco calculou um valor implícito de R$ 3,59 bilhões para os acionistas da Yduqs e de R$ 7,48 bilhões para os acionistas da Afya, considerando o ponto médio de R$ 2,1 bilhões em sinergias.
A XP classificou a fusão como estrategicamente importante, especialmente pelo volume de vagas de medicina, que representará 12% da capacidade total oferecida no Brasil. O analista Gustavo Tiseo também apontou a possibilidade de sobreposição de mercado, com uma análise mais detalhada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Segundo a XP, a participação nas vagas de medicina chega a 100% em Ji-Paraná, 45% em Teresina e 38% no Rio de Janeiro.
Controle e governança
A alemã Bertelsmann, atual controladora da Afya, manterá o controle da companhia combinada, com 47,3% de participação. A família Esteves ficará com 7,6%, e a família Zaher, com 4,8%.
Kay Krafft, atual CEO da Bertelsmann Education, será o presidente da nova empresa. Virgilio Gibbon, que ocupa o cargo de CEO da Afya, comandará o grupo. Rossano Marques presidirá a unidade de ensino superior, com exceção da área de medicina.
Entre a assinatura e a conclusão da operação, os acionistas da Yduqs deverão receber R$ 750 milhões em dividendos. A alavancagem da empresa, atualmente em 1,6 vez na relação entre dívida líquida e Ebitda, cairá 0,4 ponto percentual e chegará a 1,2 vez após a conclusão da negociação.








