O Ibovespa acumulou alta de 5,4% entre 31 de agosto e 4 de setembro e encerrou a última sessão aos 185.147,15 pontos. Foi a segunda semana consecutiva de ganhos para o principal índice da bolsa brasileira, em um período marcado pela entrada de fluxo estrangeiro e pela influência das eleições sobre os ativos domésticos.
O dólar à vista terminou a semana cotado a R$ 5,1308, com queda acumulada de 1,26%. Para Bruna Sene, analista de Renda Variável da Rico, o avanço do calendário eleitoral levou o mercado a revisar as expectativas para a política fiscal a partir de 2027 e reduziu o prêmio de risco exigido nos ativos locais.
Fatores que influenciaram o mercado
No Brasil, pesquisas de intenção de votos apontaram empates técnicos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno para o Palácio do Planalto. O cenário reforçou entre investidores a expectativa de uma troca de governo em 2027.
Os mercados também acompanharam novos desdobramentos do Caso Master, incluindo o vazamento de mensagens entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal. Marcos Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, avaliou que o episódio afeta a percepção de risco-Brasil e o apetite especulativo, sem alterar diretamente juros ou resultados das empresas.
No Congresso, avançaram as tramitações de pautas favoráveis ao governo, entre elas a medida provisória que acaba com as taxa das blusinhas e a Proposta de Emenda à Constituição que estabelece o fim da escalada de trabalho 6×1.
Nos Estados Unidos, o relatório de empregos não agrícolas mostrou a criação de 162 mil vagas em agosto, acima da expectativa de 55 mil. A taxa de desemprego ficou estável em 4,1% no mês. Os dados anteriores também foram revisados: o resultado de junho passou de 20 mil para 31 mil vagas, e o de julho mudou de fechamento de 23 mil para abertura de 21 mil vagas.
Na sexta-feira (4), a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava 58,4% de probabilidade de alta de 25 pontos-base pelo Fed na reunião do Comitê Federal do Mercado Aberto do próximo dia 16. A chance de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% era de 41,6%, ante 50,6% no dia anterior.
Ações em alta e em queda
Magazine Luiza (MGLU3) foi um dos destaques positivos da semana. As ações reagiram ao anúncio de uma parceria com o Mercado Livre (MELI34), ao alívio na curva de juros futuros e à leitura do mercado sobre as eleições de outubro.
A varejista também anunciou o Magalu Delivery e colocou iFood, 99 e Keta na mira. O Bank of America atualizou sua perspectiva para MGLU3 e elevou a recomendação dos papéis de venda para compra, citando mudanças na estratégia da companhia.
Na ponta negativa, apenas quatro ações recuaram: MBRF (MBRF3), Rumo (RAIL3), Prio (PRIO3) e Embraer (EMBJ3). Rumo caiu em meio a rumores de que o Grupo México teria desistido de comprar uma fatia da companhia controlada pela Cosan (CSAN3).
As ações da Prio foram pressionadas pelos dados operacionais de agosto. A empresa informou produção consolidada diária de petróleo de 180 mil barris por dia, ou 180 mil kbpd, queda de 5% em relação ao mês anterior. O Itaú BBA classificou o resultado como levemente negativo.







