SÃO PAULO — A Ilion Partners investiu R$ 80 milhões no retrofit do Edifício Consolação, antigo Edifício Henrique de Toledo Lara, no início da Rua da Consolação. O projeto é o primeiro da gestora voltado à requalificação de um imóvel corporativo no centro de São Paulo, em uma região onde a maior parte dos retrofits tem convertido prédios em residenciais.
O edifício tem 20,2 mil m² de área construída, 11 lajes corporativas de cerca de 1.000 m², 222 vagas de garagem e uma galeria com dez lojas no térreo. A modernização prevê itens como climatização e novos sistemas de acesso e segurança. A expectativa é que o imóvel alcance a classe A e busque a certificação LEED Gold.
Mercado corporativo no centro
O centro de São Paulo reúne o maior estoque de imóveis corporativos da cidade, com 2,5 milhões de metros quadrados. Segundo levantamento da Cushman & Wakefield, apenas 0,8% desse total está na classe A, enquanto 86,4% pertence à classe C.
A consultoria identificou quatro edifícios classe A na região: Passeio Paulista, 9 de Julho, Abram Szajman e Rio Claro Offices, integrado ao Complexo Cidade Matarazzo. Os imóveis ficam na Bela Vista, próximos à Avenida Paulista. A Ilion pretende posicionar o Edifício Consolação como o quinto prédio dessa categoria e o primeiro mais próximo do centro histórico.
A gestora estima que o imóvel, hoje com vacância entre 40% e 50%, se aproxime da média registrada entre escritórios corporativos de alto padrão. Esse índice foi de 11,4% no segundo trimestre de 2026, conforme a Cushman. O aluguel deve mais que dobrar e chegar a aproximadamente R$ 100 por metro quadrado ao mês.
A proposta é oferecer padrão corporativo de alto nível por um preço entre 30% e 50% inferior ao de empreendimentos equivalentes em Pinheiros e na Avenida Paulista. A Ilion considera que empresas de tecnologia, indústrias criativas, consultorias e startups podem ter maior interesse pelo prédio.
O centro tem 27 projetos de retrofit residencial vinculados ao Requalifica Centro, programa de incentivos fiscais e financeiros da prefeitura. Dos 33 empreendimentos aprovados para retrofit na região, seis têm uso comercial, principalmente para hospedagem e salas de pequeno porte. Entre eles estão o hotel Jaraguá, o Edifício Praça Antônio Prado, que abriga parte da B3, e o Edifício Avenida Rio Branco, planejado com 23 salas para escritórios.
Expansão da gestora
Para Maxime Barkatz, sócio-fundador da Ilion Partners, o Edifício Consolação pode representar uma nova etapa para o uso corporativo do centro. A avaliação considera a presença de restaurantes, comércio, cultura e circulação de pessoas na região.
A gestora afirma que seus 25 projetos, concluídos ou em andamento, somam aproximadamente R$ 730 milhões em ativos desenvolvidos e 125 mil metros quadrados de área construída. No momento, administra R$ 450 milhões em ativos distribuídos por 12 empreendimentos, incluindo o projeto da Consolação.
A companhia pretende manter entre dois e três investimentos anuais, mas aumentar o valor médio das operações. A meta é elevar os aportes anuais de aproximadamente R$ 40 milhões para algo próximo de R$ 100 milhões.
O desempenho do Edifício Consolação será considerado na decisão de ampliar a atuação em retrofits de escritórios, inclusive em Pinheiros e no entorno da Avenida Paulista. A Ilion também avalia que existem prédios com lajes amplas nos dois lados do Vale do Anhangabaú, embora não tenha planos de atuar nessa área neste momento.
Outro possível eixo de desenvolvimento na região central é Campos Elíseos. O projeto do Novo Centro Administrativo Campos Elíseos deverá ter entre 250 mil m² e 288 mil m² de área construída, com sete edifícios e dez torres. Planejado para 2030, o complexo poderá receber cerca de 22,7 mil servidores estaduais. Para Barkatz, a mudança da sede do governo de São Paulo poderia estimular a formação de um ecossistema de fornecedores e empresas relacionadas ao governo no bairro.







