Gestores de Bradesco Asset, TAG Investimentos e do fundo Zaftra avaliam que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro pode estar subestimada pelos mercados. André Leite, CIO da TAG, afirmou que os preços dos ativos incorporam apenas parte desse cenário e vê bolsa e juros reais longos, como as NTN-Bs, com melhor desempenho ajustado ao risco nesse caso.
Leite estima que o mercado tenha precificado de 15% a 20% desse movimento. Para ele, uma vitória de Lula teria impacto menor sobre bolsa e NTN-Bs, que já estariam em níveis de preço estressados. A real, na avaliação do gestor, seria o ativo mais vulnerável nesse cenário.
Eleição e política fiscal
A falta de propostas concretas para despesas, orçamento e trajetória da dívida aparece como o principal ponto de atenção dos gestores. Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset, disse que a política fiscal não deve ocupar o centro da campanha porque o tema não atrai votos.
Apesar disso, Funchal considera provável a adoção de algum pacote de ajuste a partir do próximo ano, independentemente do vencedor. Entre as possibilidades citadas estão mudanças nas regras de despesas obrigatórias e maior flexibilidade para o orçamento. Para o gestor, o problema está no crescimento das despesas e na rigidez orçamentária.
Na TAG Investimentos, Leite identifica diferenças entre os cenários. A gestora espera um ajuste fiscal mais profundo em um eventual governo de Flávio. No caso de Lula, o CIO classifica a perspectiva como uma incógnita. Maurício Moura, sócio do fundo Zaftra, afirmou que o eleitor pode chegar à urna sem conhecer o projeto de Brasil da situação ou da oposição.
Possibilidade de definição antecipada
O cenário-base dos gestores é de um segundo turno entre Lula e Flávio, que aparecem próximos nas pesquisas de intenção de voto. Moura, porém, considera que uma abstenção maior e a concentração do antipetismo na reta final poderiam alterar a distribuição dos votos.
Essa combinação, segundo o sócio da Zaftra, poderia levar eleitores de candidatos menores para o principal nome da oposição e abrir espaço para uma vitória de Flávio já no primeiro turno. “A probabilidade de vitória da oposição no primeiro turno não é desprezível”, afirmou Moura.
Selic e desempenho dos ativos
A possibilidade de valorização dos ativos depende da trajetória dos juros. Leite avalia que a Selic precisaria ficar abaixo de dois dígitos para estimular investidores a deixar o CDI em busca de outras alternativas.
O CIO da TAG, no entanto, vê com ceticismo o atual ciclo de cortes e projeta uma nova trajetória de alta dos juros caso Lula forme o próximo governo. Ele relaciona essa avaliação aos cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, considerados mais brandos do que o ritmo usual após os primeiros cortes.
Funchal também aponta pressões de alta para a inflação, associadas a possíveis choques de El Niño, ao fim da escala 6x1 e ao petróleo. Ainda assim, a Bradesco Asset projeta queda dos juros em 2027. Para o executivo, a desaceleração da economia no próximo ano pode permitir a continuidade dos cortes, mesmo diante dessas pressões.








