O CDS Brasil de cinco anos oscilou entre 110 e 120 pontos após encerrar 2025 em torno de 140, enquanto investidores acompanham a eleição presidencial e a alta dos juros nos Estados Unidos. O indicador pode romper o suporte de 110 pontos e, se isso ocorrer, confirmar a menor cotação desde maio de 2024, quando era negociado a 99,48 pontos.
O próximo piso apontado para o CDS é de 92,40 pontos, registrado em fevereiro de 2020. A velocidade dessa queda dependerá do comportamento dos juros no Brasil depois do resultado da eleição.
O que o CDS mede
O CDS é um seguro contra calotes e não representa, por si só, o risco soberano de um país. Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, explica que o indicador mede a diferença entre os juros dos títulos americanos e brasileiros com vencimento de cinco anos.
“Não é risco soberano, mas medida quantitativa da diferença entre juros de títulos americanos de 5 anos e brasileiros de igual vencimento”, afirmou Agostini. Se os juros americanos continuarem subindo enquanto a Selic cair, o diferencial entre as taxas diminuirá, puxando o CDS para baixo.
A avaliação sobre a situação do Brasil é incorporada ao rating soberano, que considera indicadores como juros, câmbio e inflação, além de fatores qualitativos relacionados à questão social e à execução orçamentária. Para Agostini, os fundamentos do país continuam ruins e o próximo governo não conseguirá mudá-los rapidamente.
Pressão externa e reação dos ativos
O petróleo Brent voltou a superar US$ 100 o barril, enquanto indicadores apontam uma economia americana mais forte que o esperado. A percepção de inflação mais persistente favorece novas altas de juros pelo Federal Reserve, elevando a remuneração dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e fortalecendo o dólar diante das demais moedas, inclusive o real.
No mercado doméstico, o dólar chegou a R$ 5,00 em maio e acumulava queda próxima a 5% entre janeiro e 23 de setembro. A Selic caiu de 14% para 13,75% por decisão do Copom, e parte do mercado considera possível uma nova redução em novembro.
O Ibovespa acumulava alta em torno de 14% no ano e ainda estava positivo em setembro. O índice chegou perto de 200.000 pontos nos primeiros meses de 2026, impulsionado pela entrada de capital estrangeiro.
As ações listadas na B3 agregaram R$ 69 bilhões entre janeiro e abril. Depois, o saldo das aplicações estrangeiras caiu para R$ 13 bilhões até agosto. Nas semanas seguintes, houve retomada irregular dos investimentos; até 22 de setembro, o saldo no ano era de R$ 27,9 bilhões.
Eleição no radar
O mercado avalia que uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia favorecer uma política fiscal mais responsável e reduzir o endividamento, além de estimular a valorização do Ibovespa e a entrada de capital externo na B3.
Mesmo com a eleição brasileira no centro das decisões, fatores internacionais podem provocar ajustes nas posições nos próximos dias. O período também reúne informações econômicas sobre dívida pública, crédito, operações internacionais, política fiscal, mercado de trabalho e confiança setorial.
Nos Estados Unidos, os dados do mercado de trabalho estão entre os principais eventos do calendário. As divulgações mais relevantes estão previstas para sexta-feira, 2. O primeiro turno da eleição presidencial ocorre no domingo, 4 de outubro.








