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Super El Niño pode reduzir PIB do Brasil e pressionar inflação, diz Goldman Sachs

Estimativa aponta queda de 1,21pp no PIB brasileiro, além de pressão sobre preços e juros na região.

Super El Niño pode reduzir PIB do Brasil e pressionar inflação, diz Goldman Sachs

O super El Niño pode reduzir em 1,21pp o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e aumentar a pressão sobre a inflação, segundo estimativas do Goldman Sachs. O país aparece, ao lado do Equador, entre os mais afetados pelo fenômeno climático na América Latina.

O banco avaliou os efeitos sobre Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México e Peru. Na média do grupo LA7, o crescimento deve recuar 0,36 ponto percentual ao longo dos quatro trimestres seguintes ao início do fenômeno. No LA5, que exclui Equador e Peru, a queda estimada é de 0,45 ponto.

Brasil está entre os mais afetados

O Equador teria a maior contração, de 1,85 ponto percentual, enquanto o Brasil viria logo depois, com redução estimada de 1,21pp no PIB. A Argentina é a exceção positiva, com expansão projetada de 2,57 pps, favorecida por condições hídricas mais adequadas para a agricultura.

A dependência da geração hidrelétrica é apontada como um dos principais fatores para o impacto sobre Brasil e Equador. No Brasil, cerca de metade da geração de energia vem de hidrelétricas. Com menos chuva, os reservatórios podem receber menos água, afetando o fornecimento de energia e a produção agrícola.

No Equador, além do risco relacionado à geração hidrelétrica, o Goldman Sachs considera a possibilidade de enchentes costeiras e danos à infraestrutura.

Pressão sobre inflação e juros

O banco estima que um El Niño típico eleve a inflação cheia do LA7 em 1,04 pp e a inflação de alimentos em 1,40 pp. Brasil, Colômbia e Chile aparecem entre os países mais expostos à alta de preços, enquanto o impacto seria mais moderado no Equador. México e Peru praticamente não sentiriam efeitos sobre a inflação, conforme os cálculos.

A resposta dos juros, porém, não seria automática. A estimativa é de uma reação cumulativa de 0,18 pp nas taxas de curto prazo do LA5, com pouca diferença estatística na maior parte dos casos. O Copom, no Brasil, e o Banco da República, na Colômbia, tenderiam a adotar uma postura mais rígida. Chile, México e Peru reagiriam menos.

Impacto regional do El Niño Costero

O efeito estimado sobre o crescimento do Peru em um El Niño global é praticamente zero. O país, no entanto, pode ser atingido por uma versão localizada do fenômeno, o El Niño Costero, que afeta o litoral peruano e o Equador com chuvas e enchentes extremas, como ocorreu em 2017.

Nesse cenário, o PIB do LA7 cairia 0,74 pp. O banco central peruano, o BCRP, incorporou um cenário extremo em suas projeções, com impacto de -0,9 ponto no crescimento. A previsão para o PIB de 2026 foi revisada para 3,2%, ante 3,4%, e a de 2027, para 3,0%, ante 3,2%.

Efeitos sobre investimentos

Para investidores com ativos brasileiros, a combinação de crescimento mais fraco e inflação mais alta aumenta a atenção sobre juros e câmbio. Na Argentina, o Goldman Sachs avalia que o fenômeno pode favorecer a safra agrícola, aliviar a pressão cambial e sustentar a recuperação em 2027. O país terá eleições gerais em outubro.

No Equador, preços de petróleo mais altos e exportações não petrolíferas robustas poderiam compensar parte dos efeitos sobre a economia e ajudar as contas do governo.

O Goldman Sachs classifica as estimativas como cercadas de incerteza estatística, porque a amostra reúne apenas oito episódios de El Niño desde 2000. Ainda assim, o banco considera que a probabilidade de um episódio muito forte é de 98% e recomenda cautela dos bancos centrais latino-americanos, sem indicar uma elevação imediata dos juros.

Texto produzido pela Redação Rumo ao Destino com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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