O Federal Reserve (Fed) elevou os juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual (p.p.), para a faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano. Foi a primeira alta em três anos, em decisão unânime sob a liderança de Kevin Warsh, com foco no combate à inflação.
O comitê afirmou que a inflação continua elevada e indicou que a medida busca levar o índice à meta de 2%. O petróleo acima de US$ 100 por barril, em meio ao agravamento do conflito do Irã, aumentou a pressão pela alta.
Em Wall Street, o Dow Jones operava próximo da estabilidade, enquanto S&P 500 e Nasdaq permaneciam no azul. Os títulos de dois e dez anos não reagiram à decisão. No Brasil, o Ibovespa seguia em queda, e o dólar à vista era negociado na casa de R$ 5,14.
Efeito sobre os investimentos
Juros mais altos reduzem o apetite por ativos de maior risco, especialmente ações de tecnologia. Em cinco dos últimos seis ciclos de aperto monetário nos Estados Unidos, o Nasdaq caiu no mês seguinte. Em quatro desses períodos, a perda aumentou três meses depois.
O desempenho, porém, variou no prazo de seis meses. Em três casos, o índice avançou; o melhor resultado foi uma alta de 50,3% em 1999, enquanto o pior foi uma queda de 9,9% em 1994.
Para investidores brasileiros, a decisão também altera o diferencial de juros, principalmente se o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a Selic de 14% para 13,75% ao ano, como esperado no texto. A combinação entre juros maiores nos Estados Unidos e uma eventual queda no Brasil diminui a distância entre os títulos norte-americanos e a renda fixa brasileira.
Essa mudança pode afetar operações de carry trade, nas quais fundos captam recursos em moeda forte a juros baixos e investem em países com taxas elevadas. Com menor diferencial e aversão ao risco, investidores podem vender ativos em reais, comprar dólares e remeter recursos aos Estados Unidos.
Próximos passos
Economistas do Morgan Stanley passaram a prever outra alta em dezembro, enquanto o HSBC também projeta aumento dos juros nesse mês. Projeções divulgadas pelo Fed indicam que a maioria dos integrantes do comitê considera possível uma nova elevação ainda neste ano.
O comitê vê o índice de preços para gastos pessoais (PCE) em 3,7% e o núcleo, que exclui alimentos e energia, em 3,4%. A previsão é de queda dessas medidas em 2027, para 2,3% e 2,5%, respectivamente. A meta de inflação de 2% não deve ser atingida antes de 2029. Para os anos seguintes, há indicação de um corte em 2028 e de pelo menos um em 2029.







