Manaus, Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
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Copom decide Selic em meio a juros globais mais altos e pressão cambial

Decisão do Copom ocorre na mesma semana de reuniões do Fed, do Banco da Inglaterra e do Banco do Japão.

Copom decide Selic em meio a juros globais mais altos e pressão cambial

O mercado financeiro se prepara para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que definirá a próxima taxa básica de juros do Brasil na quarta-feira, 16 de setembro. A decisão ocorrerá em uma semana marcada por reuniões de outros grandes bancos centrais e pela alta dos juros de longo prazo no exterior.

Na mesma quarta-feira, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, anunciará sua taxa para os próximos 45 dias. Na quinta-feira, 17, será a vez do Banco da Inglaterra e do Banco do Japão. O Banco Central Europeu (BCE) saiu na frente e, na quinta-feira 10 de setembro, elevou sua principal taxa de juros de 2,25% para 2,5%.

Juros longos sobem no exterior

A taxa de 10 anos dos títulos do Tesouro americano encerrou agosto em 4,75%, o maior nível em quase 20 anos. No Japão, o indicador ficou em cerca de 3%, máxima em 30 anos. Na Alemanha, chegou a 3,3%, o maior patamar em 15 anos. A alta continuou em setembro, com renovação de níveis históricos.

Para a Ibiuna Investimentos, que tem R$ 13 bilhões sob gestão, o movimento está ligado a mudanças no cenário econômico após a pandemia. Os ex-integrantes do Banco Central Mário Torós e Rodrigo Azevedo, que dirigem a instituição, associam a alta dos juros ao maior endividamento dos governos, à expansão fiscal e à inflação acima das metas na maior parte das economias desenvolvidas há mais de cinco anos.

Também contribuiriam para o cenário a maior demanda por investimentos de capital, relacionada à viabilização dos ganhos de inteligência artificial, e o aumento dos investimentos militares em razão da tensão geopolítica.

Em carta aos investidores, Torós e Azevedo questionam se os juros estão apenas voltando aos níveis anteriores à crise de 2008 ou se existe uma tendência mais prolongada de alta, com um ponto de equilíbrio mais elevado. No curto prazo, a avaliação é que uma alta ordenada tende a afetar pouco os ativos de risco e a enfraquecer o dólar. Um movimento desordenado poderia provocar aversão a risco e fortalecer a moeda americana.

Brasil enfrenta pressão fiscal e cambial

A Ibiuna considera que uma eventual alta mais intensa dos juros globais seria relevante para o Brasil, que enfrenta fragilidade fiscal, aumento acelerado da dívida pública, maiores prêmios pagos pelo Tesouro e prazos menores para a rolagem da dívida doméstica. Os juros reais estão próximos dos níveis observados na crise de 2015/2016 ou há 20 anos, mas a relação entre Dívida e Produto Interno Bruto está mais alta.

Os gestores afirmam que o prêmio soberano tem afetado a precificação dos ativos brasileiros e relacionam o cenário às eleições. Na avaliação deles, há ceticismo sobre a capacidade de o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, caso seja reeleito, promover o ajuste fiscal necessário em um período de juros globais elevados. Uma mudança de governo, por outro lado, poderia gerar expectativa de ajuste fiscal, reduzir o prêmio de risco e favorecer a reprecificação dos ativos brasileiros.

No Brasil, o Banco Central pode reduzir a Selic pela quinta vez consecutiva, em sentido diferente do esperado para outros bancos centrais, que acompanham a inflação e a alta do petróleo. Nas quatro reuniões anteriores, a taxa caiu 1 ponto percentual, com redução de 0,25 ponto em cada encontro, e está em 14%. A expectativa é de queda para 13,75%, embora a manutenção em 14% possa ser justificada pelo cenário externo.

A alta do petróleo, com o barril Brent próximo de US$ 105, fortalece o dólar no mercado internacional e pode pressionar a inflação brasileira pelo câmbio. Ao mesmo tempo, a desaceleração da atividade indica que a política monetária restritiva contribui para a desinflação, mas amplia o passivo de famílias e empresas endividadas.

O Banco Central também prepara medidas contra abusos na oferta de crédito digital. Entre as possibilidades está o aumento da exigência de capital dos bancos em operações com cartões de crédito e crédito pessoal sem garantias.

Texto produzido pela Redação Rumo ao Destino com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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