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Nicolelis alerta para perda de memória e autonomia com uso da inteligência artificial

Neurocientista afirma que a tecnologia pode enfraquecer o aprendizado, ampliar a vigilância e transferir funções do cérebro para máquinas.

Nicolelis alerta para perda de memória e autonomia com uso da inteligência artificial

Um estudo do MIT citado pelo neurocientista Miguel Nicolelis associou o uso do ChatGPT em redações a uma menor capacidade de lembrar o próprio texto. Após 30 minutos da prova, 80% dos alunos que usaram a ferramenta não conseguiam citar uma única sentença do trabalho, enquanto o grupo que escreveu sem consultar nada lembrava parágrafos inteiros.

A observação fez parte da participação de Nicolelis na segunda edição do Encontro Futuro Vivo, promovido pela Vivo em São Paulo. O encontro foi mediado pelo psiquiatra Rodrigo Bressan, professor no King’s College London, livre-docente da Unifesp e presidente do Instituto Ame Sua Mente.

Nicolelis sustenta que a inteligência artificial pode levar à terceirização de funções mentais. Ele citou um estudo sobre motoristas de táxi de Londres, que precisavam memorizar trajetos para trabalhar sem auxílio. Exames mostraram que o hipocampo desses profissionais, região ligada ao mapeamento espacial, era maior do que a média da população.

Em uma pesquisa mais recente, realizada nos Estados Unidos, pessoas que usavam apenas o Waze apresentaram hipocampo menor do que a média do grupo de controle. Para o neurocientista, a área também participa da memória de curto e longo prazo.

A relação entre tecnologia e aprendizado também foi discutida. Em 2006, Nicolelis questionou, em uma palestra em Davos, a ausência de provas científicas de que colocar um computador nas mãos de cada criança melhoraria o desempenho escolar. Em 2019, durante uma palestra na Escola de Educação da Universidade de Helsinque, ele ouviu que a Finlândia havia decidido retirar computadores das salas de aula após um estudo de 30 anos.

Segundo o relato apresentado por Nicolelis, os alunos estavam perdendo vocabulário, criatividade, capacidade de interpretação de texto e habilidade de convivência em grupo. Ele também afirmou que, dos anos 1950 até agora, estudantes do último ano do high school nos Estados Unidos perderam 30% do vocabulário.

Para o neurocientista, o cérebro não funciona como um computador. A estrutura orgânica se modifica a cada interação com a natureza, outras pessoas, animais e acontecimentos. A mente, em sua interpretação, surge da relação entre o cérebro, o corpo, o planeta e outras mentes, e não pode ser reduzida a um algoritmo.

Nicolelis chama a inteligência artificial de Nina, abreviação de “nem inteligente e nem artificial”. Na avaliação dele, a inteligência é uma característica da vida orgânica, enquanto os sistemas dependem do trabalho de milhões de pessoas que marcam dados, treinam algoritmos e removem conteúdos.

Ele também apontou três efeitos associados à tecnologia: convencer as pessoas de que são inferiores às máquinas, ampliar a vigilância e automatizar tarefas. Como exemplo de monitoramento, mencionou a empresa Flock, que combina imagens de placas de carros com informações policiais para acompanhar os deslocamentos da população nos Estados Unidos. De acordo com o relato, um delegado rastreou a ex-mulher 3 mil vezes em um único dia.

Nicolelis comparou a inteligência artificial aos Borgs, de Star Trek, personagens que incorporam outras formas de vida a uma consciência coletiva. Para ele, a resistência humana ainda é possível: “A resistência está em nossas mãos”.

Texto produzido pela Redação Rumo ao Destino com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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