Os Lençóis Maranhenses podem parecer um deserto de areia branca, mas a paisagem muda conforme o ciclo de chuvas e estiagem. Durante a estação chuvosa, milhares de lagoas de água doce surgem nas depressões entre as dunas. Algumas desaparecem depois de alguns meses, enquanto outras permanecem por períodos mais longos.
A região não tem o clima extremamente seco associado aos grandes desertos. A UNESCO classifica a área como submetida a um clima semiúmido, com chuvas capazes de preencher extensos espaços entre as dunas. O parque também fica em uma zona de transição entre Cerrado, Caatinga e Amazônia, com ambientes de restinga, manguezais, rios e áreas costeiras.
Água e transformação da paisagem
Grande parte das lagoas é abastecida diretamente pela chuva. Na estação chuvosa, o nível do lençol freático sobe e a água se acumula nas áreas mais baixas do terreno. Esses corpos d’água variam em formato, tamanho, profundidade e tonalidade.
O ICMBio informa que o período de maior pluviosidade ocorre aproximadamente entre janeiro e junho. De julho a dezembro, os níveis tendem a cair. Com isso, as lagoas diminuem ou secam, deixando áreas que antes estavam separadas por água cobertas apenas por areia.
As dunas também se deslocam. Os ventos empurram os grãos e fazem os montes de areia avançarem gradualmente para o interior. Conforme a UNESCO, algumas dunas percorrem aproximadamente 4 e 25 metros por ano. Esse movimento modifica o formato e a posição das depressões onde as lagoas se formam.
Reconhecimento da UNESCO
O parque reúne ambientes de água doce, vegetação de restinga, ecossistemas costeiros e espécies adaptadas às mudanças sazonais. As lagoas temporárias funcionam como habitats que aparecem e desaparecem conforme o regime de chuvas.
Em 2024, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses foi incluído na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. O reconhecimento levou em conta a beleza da área e sua importância geológica e geomorfológica.
A UNESCO destaca que o campo de dunas é o maior desse tipo na América do Sul. A área reconhecida inclui um sistema de areia branca entremeado por lagoas temporárias e permanentes, associado à evolução das dunas costeiras durante o período Quaternário.
A combinação entre água e vento faz o cenário mudar continuamente. Na estação chuvosa, as depressões ficam preenchidas; durante a seca, a água diminui, evapora ou infiltra, enquanto as dunas redesenham o terreno.







