A inteligência artificial já consegue sugerir destinos, organizar itinerários e selecionar atrações conforme as preferências informadas pelos viajantes. O desafio aparece quando o planejamento exige compreender expectativas, emoções e o significado individual de uma viagem — aspectos que algoritmos ainda têm dificuldade para reproduzir.
A guia e travel designer brasileira Mel Rolan, que vive em Paris há mais de cinco anos, afirma que usa inteligência artificial em seus próprios processos para pesquisar, organizar informações e otimizar etapas. Para ela, porém, uma viagem não se resume a uma sequência de lugares. O planejamento também envolve contexto, histórias e momentos pensados para cada pessoa.
A experiência de conhecer o destino
Mel considera que a vivência cotidiana ajuda a construir roteiros mais personalizados. Uma ferramenta pode reunir textos, imagens e vídeos sobre um local, mas não experimenta aquilo que descreve. A profissional cita sensações como o cheiro de uma boulangerie pela manhã, a caminhada por uma ruela menos conhecida e o frio de janeiro em Paris.
Essa diferença também aparece na conversa com o cliente. Enquanto uma plataforma responde às informações fornecidas, o profissional pode identificar necessidades que ainda não foram expressas. O motivo da viagem, por exemplo, altera o ritmo do dia, as prioridades e as pausas necessárias.
Mel compara a primeira viagem internacional de uma família com filhos pequenos à celebração dos 80 anos de um avô. Segundo ela, a inteligência artificial não pergunta por que aquela família está viajando. Entre famílias brasileiras que planejam a primeira viagem à Europa com os filhos, preocupações como erros de logística, perda de tempo e expectativas não realizadas podem surgir apenas durante a conversa e o acompanhamento.
Informações que mudam rapidamente
Obras em uma rua, mudanças na administração de um restaurante, menor movimento em uma atração em determinado dia da semana e a condição de um parque após vários dias de chuva são exemplos de detalhes que podem não aparecer nas buscas. Para quem tem poucos dias em uma cidade, essas informações podem alterar o roteiro.
Na avaliação de Mel, a inteligência artificial não necessariamente elimina o trabalho dos profissionais de turismo. A tendência é que a tecnologia assuma tarefas operacionais, enquanto o profissional concentre seus esforços nas etapas que dependem de escuta.







