A bandeira branca é reconhecida em diferentes partes do mundo como um sinal ligado à interrupção de um confronto. Seu uso, porém, não indica necessariamente que uma tropa já aceitou se render. O tecido também pode comunicar a intenção de negociar, pedir uma trégua ou estabelecer contato com o adversário.
Registros históricos apontam que tecidos brancos tinham significado semelhante há quase dois mil anos. Há referências ao uso do sinal durante a dinastia Han Oriental, na China. O historiador romano Tácito também descreveu um emprego relacionado à rendição no início do século II.
Não há um momento único conhecido para a transformação do branco em símbolo de rendição. Ao longo dos séculos, o gesto apareceu em diferentes contextos militares e se tornou mais reconhecível. Um tecido claro podia ser improvisado rapidamente, sem brasão ou identificação, e ser distinguido de muitos estandartes usados por exércitos, reis e unidades militares.
A cor branca também ajudava na identificação a distância. Por não carregar símbolos específicos, o tecido podia indicar que a pessoa não estava avançando sob um estandarte de combate. Com o tempo, o sinal passou a ser compreendido por lados adversários.
A bandeira branca, contudo, não cria automaticamente um cessar-fogo em todo o campo de batalha. Quando usada corretamente, ela estabelece uma situação de comunicação protegida para que uma mensagem seja transmitida ou para que negociações comecem. O comandante adversário não é obrigado, em todas as circunstâncias, a receber um emissário.
O costume foi incorporado formalmente às normas internacionais sobre conflitos armados pela Convenção de Haia de 1907. A convenção reconhece o emissário autorizado a se aproximar do adversário carregando uma bandeira branca e prevê proteção específica para essa comunicação.
Essa proteção depende da confiança no símbolo. Usar um tecido branco para se aproximar e atacar de surpresa comprometeria a segurança de pessoas que realmente tentam negociar. Por isso, há diferença entre solicitar comunicação, iniciar conversas sobre rendição, negociar uma pausa nos combates, concluir uma capitulação e empregar falsamente o sinal para obter vantagem militar.
Assim, levantar a bandeira branca comunica principalmente que não há avanço para atacar e que existe intenção de estabelecer contato. A rendição, a trégua e o armistício dependem de etapas e acordos próprios. Fora dos campos de batalha, o símbolo também passou a ser usado como metáfora para desistência, mas seu sentido histórico é mais específico.







